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É com grande prazer que informo minha participação na Flip, Festa Literária de Paraty (2017) como autora convidada pela Amazon Kindle Direct Publishing, no dia 29 de Julho.

 

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Segue a programação do evento.

Pela primeira vez, a Amazon.com.br estará em Paraty (RJ), na Casa Santa Rita da Cassia, com um dia dedicado aos autores independentes. O público poderá conversar com profissionais do mercado editorial e conhecer a experiência de publicação independente com o Kindle Direct Publishing (KDP), ferramenta de autopublicação da Amazon.

Programação:

o 10:15 a 12:00 – VENDENDO SUA IDEIA

Autores independentes pré-selecionados farão um pitching de seus projetos literários a profissionais do ramo editorial

o 12:15 a 13:15 – OFICINA DE AUTOPUBLICAÇÃO

Orientações de como utilizar a ferramenta da Amazon para publicar livros gratuitamente e conhecer melhores práticas com base na experiência de outros escritores que iniciaram suas carreiras por meio da autopublicação.
Com:
Ricardo Garrido – Gerente-Geral de Aquisição de Conteúdo para Kindle da Amazon.com.br
E os autores independentes:
– Gisele Mirabai, vencedora do Prêmio Kindle de Literatura 2016,
– Katherine Laccomt,
– Barbara Nonato, e
– Raiam dos Santos

o 13:15 a 14:00 – BATE-PAPO COM PEDRO UM CARTÃO

O autor do canal do Instagram que virou o livro “Um Cartão – Sentimentos Cotidianos” compartilhará sua experiência como autor independente.

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subversiva
No transcorrer de minha história nasceu uma profunda paixão pelas palavras. Dos tempos remotos da infância trago a lembrança dos livros intocados na estante. Muitos desses livros pareciam conter um mistério. Do alto de minha pequenez, de onde eu estava, títulos e nomes de autores se embaralhavam numa constelação embaçada de letras. Subia na cadeira e esticava o braço para pegá-los. Queria-os perto de mim. Bastaria consultá-los, como se faz a um oráculo, para que o universo preso àquelas páginas se abrisse aos meus olhos curiosos. Mas eu não os alcançava, muitos deles nunca peguei. Em várias tentativas, só encostei de leve a ponta do dedo em suas lombadas, recolhendo-a em seguida, aveludada de poeira. Assim como uma tumba de faraó inexplorada, nunca soube se tais livros ocultavam tesouros ou maldições, e esta questão ficou gravada em mim, tanto que, hoje, em todos os livros que abro e folheio, busco sempre aqueles que ficaram, ainda perdidos, nas estantes de alguma das  minhas remotas infâncias.
Eu continuo a persegui-los. Porém são esquivos; acossam-me em sonhos e insinuam-se à minha imaginação; me provocam, me atiçam. Como horizontes ou utopias, conduzem-me a lugares desconhecidos e provocam o abandono do que me serviu de amparo. Essa busca é o que me lança para além do que sou e me emancipa dos projetos que criei ou que criaram pra mim e por mim; me faz grande, me faz mais do que eu sou. Talvez seja em  função desse fracasso de posse, que o anseio de compartilhar o que penso pediu entrada em meu espírito. Hoje, escrever me faz aprofundar o que me causa, o que me completa, o que me faz eu. Produzo o que me produz. Assim como o mito das criaturas andróginas que despertaram o ciúme possessivo de Zeus, nesse atravessamento entre razão e fantasia, me vejo condenada à uma eterna busca pela metade que não encontrei, mas que coloquei no papel. E como se a primeira fosse um imã e a segunda limalha, vejo fundirem-se letras e idéias, imantando de ambas uma tensão recíproca. Não há resistência a essa interseção, apenas uma imprecisão qualquer que ganha formas e contornos.
No curso natural de uma vida, meus rabiscos de infância rapidamente desbotam e logo são revitalizados e substituídos pelos novos contornos de juventude que, em seguida, dão lugar à sutileza embrutecida dos traços mais maduros que observo se apagarem com mais velocidade do que antes. A transitoriedade é sutil, porém perene, como um álbum de fotografias amareladas, guardado dentro da gaveta, ou esquecido em cima da estante em meio aos livros do passado. No interior de cada um de nós, estes outros que não somos mais nós, já nos são estranhas figuras. Morrem e ressuscitam, interpenetram-se e complementam-se na composição do tempo em matéria que, por ser atemporal, faz com que os espectros de ontem se condensem aos de hoje, engendrando uma massa dinâmica de momentos transcritos. À medida que envelhecemos, coabitamos outras eras, que não as do presente.
A marcha do punho, ao longo das páginas, deixa seus rastros, faz meus rastros de vivências e de acontecimentos, demarcando meu território e criando o ambiente propício para aqueles que quiserem chegar. Colonizando meus sonhos encontro sempre o avesso da realidade; fincando minhas raízes me deparo com uma carência de olhos abertos para o que está á sua frente; cavando meu espaço me deparo com uma geografia secreta, que não se governa e que não é conhecida por si mesma, mas somente pelos seus efeitos. Copérnico, Darwin, Kant, Goethe, Freud, e demais senhores e senhoras de estirpe, um dia julgados por seus pensamentos e condenados por seus escritos… Aqui nessas veias corre um sangue subversivo com o mesmo teor que em outros tempos vos animou; sangue de quem se arrisca sem esperar por nada, mas sabe que pode encontrar, sabe lá Deus quando, seja lá o que for. Sangue de quem escreve sem medo, sem a sofreguidão dos que se perderam e sem o desespero daqueles que ainda não se encontraram. Escrevo por gosto, por prazer. Vem leitor, emparelha o teu passo ao meu e vê o que há para ser visto; depois, põe no prato da balança tudo aquilo que lhe cabe.  

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“A minha escola não tem personagem; a minha escola tem gente de verdade… Alguém falou do fim do mundo, o fim do mundo já passou. Vamos começar de novo: um por todos e todos por um! O sistema é mau, mas minha turma é legal; viver é foda, morrer é difícil. (…) Chega de opressão! Quero viver a minha vida em paz…”* – Legião Urbana

Durante o período de produção do livro Sob a Sombra da Névoa, algumas músicas me acompanharam, como se compusessem a personalidade de cada personagem. Parte destas músicas já foi disponibilizada na página, entretanto decidi pôr aqui aquelas que endossam a trajetória dos personagens mais significativos.

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MÚSICA 1 – CECÍLIA
Cecília Leone é uma órfã criada no convento, que funciona como orfanato para meninas, e que somente um ano após atingir a maioridade deixa o local para trabalhar em seu primeiro emprego: secretária de Raul na estância de gado leiteiro dos Mendonça, do outro lado do lago. Inexperiente e calma, lidar com as pessoas naquela casa, com tantas personalidades diferentes, é um desafio que cresce a cada dia. Em paralelo, enquanto a insegurança por estar ali povoa os pensamentos da jovem, a força por sentir-se desafiada por todas as situações vivenciadas torna-se uma aliada ao seu crescimento. A mudança desponta como uma constante e a vida, de maneira inusitada, se descortina para a jovem a cada página da obra.
A música que acompanha a personagem Cecília é “Encontros e Despedidas”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, cantada por Maria Rita e que de forma subliminar fala muito sobre sua trajetória, disponível AQUI.
MÚSICA 2 – RAUL
Raul Mendonça, filho caçula de Joaquim Mendonça, depois de dezoito anos afastado da propriedade de sua família, em decorrência de uma desavença, está de volta à estância para assumir sua função na administração do gado leiteiro. Trata-se de um homem bonito, de personalidade forte e descontraída, bem mais jovem que Carlos, seu irmão. Seus atos por muitos anos foram considerados rebeldia e foi exatamente esta suposta incongruência que o afastou de casa. Raul trata os empregados de igual para igual, e é extremamente fiel aos amigos, porém, não leva desaforo pra casa, nunca levou. Em sua volta, ele mostra à que veio!
Quando escrevi Raul, apesar do “sangue latino”, herança de seus ancestrais, e tão bem cantado por Ney Matogrosso, a música que acompanhou sua criação foi “Recado”, de Gonzaguinha, disponível AQUI.
MÚSICA 3 – RAMIRO
Ramiro Duarte é funcionário na estância Mendonça. Nasceu e cresceu naquelas terras e, por conta da pouca diferença de idade, é o melhor amigo de Raul. Em ocasião da morte de seu pai, quando tinha apenas 15 anos, ele foi alçado a um alto posto na administração do gado. Bonito e de personalidade forte, assim como Raul, Ramiro também não lida muito bem com injustiças, não leva desaforo pra casa e se não fosse por uma única questão talvez, apesar de amar o local, ele já tivesse deixado aquelas terras.
A música que acompanhou a criação de Ramiro foi “Cavalo Baio”, de Marcus Vianna, em gravação do grupo Sagrado Coração da Terra, disponível AQUI.
MÚSICA 4 – CARLOS
Carlos Mendonça, o filho mais velho de seu Joaquim Mendonça, cuja personalidade em nada se assemelha à personalidade do irmão, responde pelos momentos mais tensos desta história. Trata-se de um homem insuportável, grosseiro e mesquinho, que não respeita as pessoas e julga-se superior à todos os demais mortais.
A música que no meu ponto de vista traduz parte da força, da arrogância e dos receios de Carlos é “Cara Valente”, cantada por Maria Rita e disponível AQUI.
MÚSICA 5 – ESTER
Dona Ester, esposa de Carlos, apesar de ser excessivamente carismática e tranquila, parece carregar a tristeza em seu olhar. Muito provavelmente, trata-se de rusgas colecionadas durante todos aqueles anos de casamento e pela vivência na casa Mendonça.
Sua música é “Entre a Serpente e a Estrela”, de Zé Ramalho, disponível AQUI.
MÚSICA 6 – DONA ROSA
Dona Rosa, empregada aposentada, mas que ainda ocupa um quarto na ala destinada aos funcionários da casa Mendonça, pois sua filha, Martina, trabalha lá como cozinheira. Por já ter passado dos noventa anos de idade, ela já não tem motivo algum para limitar-se e fala aquilo que lhe vem à cabeça. Sem arreios, sem freios e sem medidas, Dona Rosa pode não poupar ninguém!
A música que compõe esta personagem é “Mortal Loucura”, na voz de Maria Bethânia e está disponível AQUI.
MÚSICA 7 – MARTINA
Martina é a filha de Dona Rosa que trabalha na casa há anos e, após a aposentadoria da mãe, assumiu seu posto como cozinheira. Por ter praticamente acompanhado o crescimento de Raul e Ramiro, ela tem cuidado e carinho excessivo com os dois. De personalidade centrada, Martina carrega uma tristeza consigo, uma angústia cuja resposta pode estar em algum canto da casa Mendonça.
A música que acompanhou a criação de Martina foi “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso, gravada por Maria Gadu, disponível AQUI.

Sob a Sombra da Névoa

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Em “Sob a sombra da Névoa” o leitor é apresentado à casa da família Mendonça, uma estância da gado leiteiro situada no pampa gaúcho. A história se passa basicamente nos dias de hoje, mas casa pertence à família desde a ocasião em que o primeiro Mendonça, vindo de um país vizinho, ainda em 1686 e estabeleceu-se naquelas terras. Desde então todos fazem o possível para manter o negócio com o gado, que é passado através das gerações e os costumes seculares ali estabelecidos ainda são respeitados.
Entretanto, após dezoito anos fora de casa, Raul, filho caçula do patriarca dos Mendonça, está de volta para assumir sua função na estância. O que a maioria desconhece é que a volta de Raul pode abalar as estruturas da família
“Há quem diga que o futuro não altera o passado; que o que está feito, está feito. Dizem por aí que não há qualquer maneira de reverter o que já se estabeleceu. Dizem também que, uma vez moldadas algumas condutas, elas jamais se desconstroem. Mas ele mostrou o contrário.”
Em paralelo, ciente de sua volta, Raul solicita que uma secretária para ajudá-lo em suas funções seja contratada. Quem cuida disto é Ramiro, um dos funcionários da estância, que cresceu ali e é amigo de infância de Raul.
“… para cada mentira justa, uma oração sincera…”
Cecília, uma jovem de dezenove anos, órfã e que passou toda a vida no convento local é a escolhida e passa a ocupar um quarto na ala reservada aos funcionários da estância. Porém a jovem que sempre teve visões de vultos, começa a vê-los com maior frequência após estabelecer-se na casa Mendonça. E estes vultos, além de amedrontar a moça, têm ligação direta com o passado daquela família.
“Em alguns momentos, o tempo parecia perder o sentido ou parecia parar para que os sentimentos se acomodassem melhor e encontrassem o caminho certo.”
Além disso, há os demais componentes da família, inclusive Carlos, o irmão grosseiro e mal educado de Raul, os outros empregados, os acontecimentos, sejam os  corriqueiros ou os mais absurdos… Entre idas e vindas e em meio a muito mistério, o leitor envereda pela casa, envolvido cada vez mais nos segredos  que povoam a vida daquelas pessoas de forma tão forte, que não se deixar envolver torna-se  um grande desafio.

***

Sob a Sombra da Névoa está disponível em ebook pela Amazon e pode ser adquirido AQUI.
A Play List dos personagens está sendo divulgada diariamente (um personagem por dia) na página da autora no Facebook (link da página na barra ao lado).
Seja bem vindo a casa Mendonça, uma estância secular de gado leiteiro, localizada próxima à um lago no pampa gaúcho!
Os mais antigos na casa, como Ramiro e Martina, sempre souberam que a volta de Raul, filho caçula do patriarca dos Mendonça, para assumir sua função na estância, atiçaria as brasas de uma fogueira adormecida por dezoito anos e que as labaredas levantadas seriam altas. Raul carrega nas veias o sangue forte de seus ancestrais latinos, tem a gana de quem busca fazer algo e o fará. Porém, enquanto seus ancestrais fizeram o mal, ele voltava para fazer o bem. Havia muito o que enfrentar e ele estava pronto, fosse para o tudo ou para o nada.
Mas e Cecília? Como a jovem, contratada para trabalhar como secretária, se encaixava em tudo aquilo? Órfã e criada no convento, Cecília aceitou o emprego sem saber que além de lidar com planilhas e números, deveria lidar também com todo o clima de tensão e medo que permeia a propriedade, com a grosseria de Carlos, irmão de Raul, e com situações que beiram o absurdo. Ela desconhece que precisará enfrentar um segredo que, há quase quatrocentos anos, permanece escondido na névoa. As lendas que rondavam aquele local não lhe teriam piedade, assim como as almas que insistiam em vagar por lá também não poupariam nenhum de seus habitantes, lhes trazendo a todo tempo o passado desgraçado traçado pelo primeiro Mendonça que fincou pé na região.
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Lançamento em ebook pela Amazon em breve!

nova capa

LANÇAMENTO: Noturno!

Novo ebook disponível na Amazon! E o melhor: já saiu em promoção! GRATUITO nos dias 14e 15 de janeiro. Aproveitem!
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SINOPSE:
Em “Noturno – contos de suspense”, publicação destinada apenas ao meio digital e lançada sob forma de ebook, seguindo padrão semelhante ao que foi empregado em “Soturno”, uma de suas obras anteriores, a autora Barbara Nonato apresenta quatro contos sombrios. Em “Vítima”, a primeira história apresentada nesta obra, o leitor conhece as adolescentes Daniela e Camila e descobre que brincar com as pessoas pode não ser uma boa opção. No conto seguinte, “Internauta”, temos as ações realizadas pela rede de computadores em primeiro plano, mas sofrendo interferências de planos desconhecidos. O terceiro conto, “Assombrado”, leva o leitor para passar uma noite em uma casa de campo e vivenciar acontecimentos de um passado distante. No quarto e ultimo conto apresentado nesta obra, denominado “Mentirosa”, o irreal torna-se real aos olhos da protagonista.

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Disponível no site Leiturize-se.
Livro: O Lado Oculto do Medo
Autor: Barbara Nonato
Páginas: 270
Editora: Independente (Publicado na Amazon)
Tema: suspense, mistério.
 
Sinopse: “O táxi estacionou em frente ao portão da vila e ela pôde perceber que, considerando sua expectativa e seus temores, o lugar não era de todo ruim. Ao menos, não parecia ser… O portão de entrada era grande e pesado, em ferro. A rua estreita, porém, razoavelmente extensa, acomodava oito casas, quatro de cada lado, todas com dois andares, e fachadas com varandas exatamente iguais. Na outra extremidade da vila, ainda do portão de entrada, ela avistava um muro e, além dele, apenas copas verdes de árvores.”
Se antes a vida de Tina era bastante tranquila, agora, com o novo emprego no município vizinho, tudo seria diferente. Encontrar onde morar até que foi fácil: uma vila de oito casas, cada qual com um apartamento no segundo andar, totalizando dezesseis moradias. E os vizinhos? Um diferente do outro, um mais estranho que o outro, o que não se tornaria um problema se não fossem os acontecimentos que se seguiriam.
Uma morte antiga e até então não explorada, vem à tona em decorrência de uma nova morte na vila. Em paralelo, as ações dos vizinhos parecem fazer menos sentido a cada dia. Porém, ela sabe perfeitamente que há algo por trás daquelas mortes. Não são comuns, não se tratam de acaso e não se justificam apenas de acordo com o que a polícia percebe. Resta à Tina descobrir de que se trata.
O livro conta a história de Tina recém formada em jornalismo que sai do conforto da casa dos pais pra se mudar pra outra cidade porque recebeu uma proposta de emprego em uma revista pra trabalhar duas vezes na semana e então aluga um apartamento em uma vila onde as coisas mais estranhas acontecem e pessoas se matam sem motivo aparente. Porém Tina, com sei faro jornalístico logo descobre que não são suicídios verídicos e sim que há um psicopata por trás de tudo isso que explora os medos das pessoas e faz com que as mortes pareçam suicídios.
Após algumas mortes na vila, Tina se vê na lista desse psicopata em potencial e não sabe como sairá dessa ilesa e em segurança.

“Como em um filme de terror, o lobo perdia sua pele de ovelha e, gradativamente, mostrava dentes e garras afiados, prontos para o ataque mais cruel. Pronto e decidido à saciar sua sede doentia de morte.”

O livro tem uma abordagem diferente dos que estou acostumada a ler. O psicopata é o típico assassino a sangue frio, que mata pelo mero prazer de ver suas vítimas agonizando antes de enfim morrerem. Mostra que há duas faces do medo, uma que coloca a pessoa em segurança e outra que é seguida se um desespero para logo após vim a morte.
A autora aborda também um tema um pouco polêmico que é o preconceito que muitos vizinhos tem com quem é diferente e a necessidade do ser humano em ser aceito pela sociedade.
Trata-se de um thriller psicológico assustadoramente fantástico e leva o leitor a pensar até onde alguém iria motivado pelo medo.
Bárbara tem uma escrita fluida, envolvente, esse é o tipo de livro que te prende até o final para desvendar os mistérios, onde nada é o que parece realmente e mostra que as aparências pode sim enganar não uma e nem duas, mas diversas vezes. É impressionante como o real passa despercebido pelos olhos de todos os vizinhos e como pode ser misturado facilmente aos acontecimentos normais da vila. Gostei muito como a história evoluiu e como fiquei de cabelo em pé (literalmente) para descobrir quem estava por trás de todos esses assassinatos meticulosamente preparados.
Em O Lado Oculto do Medo a autora nos proporciona conhecer uma mente perturbada, doentia e o que ele faz para atingir os objetivos, manipulando pessoas como se fossem peões em uma partida de xadrez.

“Nada lhe causava mais prazer que arquitetar mortes mantendo suas mãos limpas. Foi assim com os passarinhos, foi assim com os gatos, foi assim com o garoto na escola e, agora que estava mais velho e com melhores condições de ação, seria assim com as pessoas.”

Toda a estória é muito bem escrita e desenvolvida, a autora não deu um final corrido, pelo contrário, foi um final digno de best-seller. Os moradores da vila são muito bem construídos, suas personalidades, seus medos, anseios e suas expectativas. O que tive um pouco (bem pouco, quase nada) de dificuldade foi em gravar onde cada um morava na vila e suas respectivas ocupações, mas mesmo assim a autora se mostrou dona de uma mente brilhante para conduzir cada personagem aos acontecimentos no devido tempo.
Esse livro é para ser lido de uma vez só, sem interrupções, pois no momento certo tudo é esclarecido.
A trama tem características marcantes, e pra mim, a Barbara é digna de estar no mesmo patamar de Harlan Coben e James Patterson no quesito mistério e suspense.
Achei engraçado que algumas coisas nunca mudam, como. o fato de em uma vila pequena haver vizinhos fofoqueiros, preocupados demais com a vida alheia e a postura firme de Tina em não fazer parte disso, bem como a amizade e o afeto que ela nutriu por Maria, uma moradora da vila na qual recebia constantes alfinetadas e olhares atravessados dos demais vizinhos. É legal ver que depois de passado o sufoco todos na vila mudaram e começaram a se respeitar e viverem pacificamente. Alguns personagens me pegaram de surpresa, outros já eram esperados, mas sobre esse livro, não tenho o que reclamar. A escrita está impecável, não encontrei erros de português e a capa é sensacional. Recomendo a todos que gostam de um thriller horrorizante e um suspense maravilhoso!
Nota: 5/5