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Archive for 11 de março de 2012

Na tentativa imperfeita de um possível equilibrar-se, segue em um misto de si e de suas transparências lúdicas, rumo à vida que a aguarda e implora por ela. Caminha mansa sobre seus saltos, arrasta-se voluptuosa entre seus sentimentos, desliza lânguida sobre as convenções e saltita serelepe entre o inadequado e o esperado. Desfaz-se a cada refazer-se tornando-se parte ativa de suas conquistas e parcela fundamental em sua existência, solidificando-se em seus anseios e suas verdades, crescendo junto às poucas esperanças que mantém vivas. Da multiplicidade dos afazeres eclode seu desejo mais secreto, da informalidade de seu sorriso brota sua sensação mais gostosa, da opacidade de sua lágrima jorra o turbilhão de seu cotidiano. No momento inesperado, o feixe de luz; no olhar certeiro, a tonalidade certa, o alcance exato. Poetisa de variados tons desarmônicos e viscerais, acomoda-se entre vogais e consoantes, entre exclamações e interrogações, fazendo-se ativa e tremulando entre seus pontos e suas vírgulas; buscando suas brechas, galgando seus espaços, preenchendo suas lacunas. Do gesto rebuscado ao cio rasgado, em sua feminilidade alforriada, se faz mártir e se liberta mais uma vez para ir além do que já foi. Senhora de seus devaneios, no revival de suas alegorias faz sarar a ferida pra ver brotar novas vontades, e nos lanhos do passado reencontra o gozo perdido. Redescobre em seus excessos a incompletude, anoitece pra poder amanhecer inteira em seu ciclo de fêmea. Ela não busca nada além do equilíbrio imperfeito, ela não quer nada mais que toda sua perfeição desequilibrada. Ela é o que é, por isso tão ela, tão mulher.

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