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Archive for 15 de março de 2012

SILÊNCIO

Nem todo silêncio é mudo. Nem tudo o que cala é ausência de palavras. Na tradução dos silêncios que ferem, a busca inaudível por respostas: o que poderia ter sido se deveras fosse… No silêncio das vozes que abandonaram histórias ou incapacitaram premissas, o mais alto grito pode ser ouvido a distancias. Como se um sentido viesse em auxílio do outro, no tremular sussurrante dos silêncios, fazem-se as imagens dolorosas do passado, do presente, do que ainda não veio; sente-se os aromas de tempos remotos, cheiro de sonho guardado no fundo da gaveta. Descortinam-se os abismos da alma como se o despencar produzisse ecos capazes de quebrar tal silêncio. Não quebram. Se o quebram, assim o fazem superficialmente, solidificando o vazio oco do silêncio composto. De-composto!

Nas reticências das incertezas impostas pelo silêncio estampam-se as mais variadas certezas que, imperceptíveis aos olhos, afloram corpo adentro, fazendo da calmaria uma tempestade de sons distorcidos. E o fogo se fez gelo no silêncio de outro alguém…

Ninguém ouviu o que alguém não falou. Alguém não viu o que outro alguém mostrou. Ânsia insaciada de desejos obscuros, omitidos na verdade que o silêncio elucidou e na palavra que ficou pelo meio do caminho, silenciada por quem a silenciou. Fazemos do silêncio procissão: todos juntos, rumo a uma coisa qualquer, fundamentados em fé e passadas largas que podem levar com maestria rumo a lugar nenhum, e embutida das verdades que o silêncio calou. Vozes que se calam, fazendo do silêncio condição, deixam de ouvir o que se protege por trás desse silêncio e mascara de acidez a doçura da ilusão. Nessa loteria de futilidades, muito perde o silenciador que, ao silenciar, deixa de ouvir aquilo que alguém falou; até mesmo porque, nada pode ser mais barulhento que o silêncio que fala de silêncio e que se faz defesa frente ao silêncio de alguém…

Do rufar de tambores, me cale-se sorrateira e intimidada pelo silêncio que ouvi. Do alto das expectativas, se afunde no vazio da falta que o verbo faz. A ausência de voz calou o grito que minha alma gritou. O silêncio falou o que eu não queria ouvir. Um silêncio que ninguém esquece mais…

 

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