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Archive for the ‘Reflexão’ Category

Breve Devaneio…

tremDas muitas observações que venho fazendo no dia a dia, cheguei até a conclusão de que uma coisa, dentre outras evidentemente, é certa: as pessoas jamais darão ao que é seu e mesma importância que você dá. Por mais que se trate de algo que pode mudar um destino, algo que possa alterar o curso de uma vida… Nada do que é seu será relevante ao outro da mesma forma como o é para você.
Sua pressa é só sua. Sua necessidade é só sua. Seus anseios são seus e de mais ninguém!
Na grande maioria das vezes não adianta esperar que, por mais simples que seja o ato, o outro faça algo por você e/ou algo para te ajudar. Não, ele não vai fazer. Olhe para seu passado e pense nas vezes em que precisou de uma simples ajuda e ela não veio… Quantos vezes você foi ignorado? Isto porque as pessoas alimentam o dom de banalizar o que não é delas. “Se não me afeta ou não interfere diretamente na minha vida, não me diz respeito”, esta é a máxima da sociedade em que vivemos, salvo pouquíssimas exceções. “Ah! Mas ele é meu amigo…”; mas não vai fazer. “Ah! É meu parente!”; se bobear, também não fazem.
E os interesses? Ah! Os interesses…  Malditas molas propulsoras de atitudes aparentemente benevolentes. Faz-se em troca de… Faz-se para ganhar… Contraditório? Não. Real ao extremo.
Então, moço, prenda-se ao que é seu. Não deixe de fazer pelo outro, mas não espere muito do outro; não deposite esperanças no outro. Sem excesso de expectativas… Sem esperanças vãs… Faça você o que deve ser feito por você e para você. E acredite sempre. Seja você o maquinista do seu trem e tenha a plena convicção que suas paradas não são para qualquer estação.
“Fiz o que quis e fiz com paixão. Se a paixão estava errada, paciência. 
Não tenho frustrações, porque vivi como em um espetáculo. 
Não fiquei vendo a vida passar, sempre acompanhei o desfile.” (Mário Lago)
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ajudaPense nas tantas vezes em que você aguardou apenas por uma reação e esta não veio. Pense nas vezes em que desejou ouvir um “muito obrigado!” e isto não foi dito. Pense nas vezes em que foi preciso pedir por uma ajuda que, aos seus olhos e se você estivesse no lugar do outro, seria óbvia e imediata. E não, não me refiro à ajuda financeira ou qualquer outra coisa neste sentido; trata-se de pequenas atitudes mesmo, coisas miúdas, ações simples e que não envolvem grande desprendimento de tempo, trabalho ou gastos.

Esperamos e queremos que o outro reaja ou aja da forma como nós naturalmente agiríamos. Buscamos no outro um certo amparo ou algum suporte para coisas simples e que, para este outro, são banais e (porque não dizer) desnecessárias. Ele não vê valor, não dá valor. E um pequeno favor ou uma breve gentileza deixa de ser, deixa de se concretizar, simplesmente não acontece.

Em um mundo onde o ajudar deveria ser algo natural, as pessoas o encaram como ocasional ou, até mesmo, proposital… Esquisito isso! Olho para trás e analiso algumas posturas. Vejo que algumas ações vieram de onde eu menos esperava e, em contraparida, ao esperar por algo oriundo daqueles me eram mais chegados, nada se fez. Lidar com o pouco caso próximo é complicado, porém, isso mostra o quanto algumas pessoas são desinteressadas.

Sim, a vida é assim. Querendo ou não, algo se espera e, no entanto, nem sempre este algo chega ou acontece. Se queremos mais, o outro nos direciona menos; se esperamos muito, recebemos pouco. Egoísmo nosso em querer demais, egoísmo do outro em não se doar, não compartilhar do que é nosso ou não dividir o que é dele. Mas a vida… Ah! A vida é assim.  E aos estranhos, o meu muito obrigada!

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Porque nem se sempre é questão de querer; às vezes, prevalece o ‘precisar’.

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PalavrasDa mágoa que o consumiu, homiziado de ninguém no beco que o abrigara e onde enraizara suas dores, fez o possível alicerce para sua conduta e a provável redenção para seus lamentos. Conseguiu ser mais que muitas mágoas… Era pensante e atuante no meio em que, brutalmente, cavou pra si mesmo quando lhe faltavam dedos para contar as tantas mágoas que garimpou naquela terra seca que o tempo o fizera engolir. Reverteu a dor em arte, converteu em sorte o azar, transbordou de sentimento a partir das punhaladas dadas pela vida. Fez do nefasto, anunciação; verteu como elucidador, elucidando a dor de quem muito sente, extravasando as vontades que outros escondem. Conseguiu ter mais que muitas mágoas.

Nas noites escuras e solitárias, via na fumaça do cigarro seu passado ganhar formas sólidas, seu futuro perder as possibilidades concretas e seu presente criando arestas. E escrevia… Não mais que escrevia. Em relatos pessoais, quase autônomos, descrevia o humano como se desumano fosse, destrinchava a essência desenfreada dos fatos que presenciava através das fendas nas paredes gastas e úmidas de si próprio. Sem receio das condenações, sem o peso das atribulações… Apenas escrevia. Era poeta dele mesmo! Poeta de um cotidiano atroz que ele gostaria de poder desprezar. Um cotidiano que não o poupava e por isso o fazia poeta, como se do sofrimento se formasse a alma e como se da solidão a mente se povoasse de idéias.

Foi buscando a escrita perfeita que o poeta encheu seu tinteiro de sangue, encharcando de emoções os parágrafos registrados naquele pergaminho… Reproduzindo no papel as feridas antes estampadas na alma…  Lastrando em metástases as palavras que o inundavam… Fazendo de seu grotesco um rastro literário para os que o quisessem um dia alcançar… Reciclou a podridão das noites na transcrição de cada manhã que as sucedia… Construiu seu real naquele surreal de falsas realizações e à mingua… Transformou solidão em melodia, sensação em prosa, emoção em verso e ódio no que quisera que fosse. Cabresteou do tempo o tempo que o tempo ofertou. Viveu a vida na vida que lhe coube. Serpenteou o choro em cada sorriso amarelado. Cresceu! E morreu poeta, sem descobrir se viveu gente algum dia…

***

Gosto tanto deste texto que optei por republicá-lo hoje.

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No entrelaçar das linhas, entrelaçava os sonhos que na vida nunca deixara de sonhar. Misturava cores, misturava idas e vindas num sem fim de pontos sem nós, num deslumbramento exclusivo e cedido pelos anos, pelo tempo, pela experiência de agasalhar as ideias e fazê-las reais para que agasalhassem alguém.

E tecia. E criava. E se desenvolvia mediante o que desenvolvia em suas mãos. E dava asas às mãos para que voassem entre as agulhas, para que galgassem suas vontades e as transformassem em produção. Tricotava seus dias o dia todo, o dia inteiro, todos os dias… Tricotava mantas de acolhimento para que o tempo passasse, para que o tempo chegasse, para que o tempo se fizesse mais tempo em todo aquele tempo… E os sonhos se entrelaçavam nas palmas das mãos.

Naquele emaranhado de sonhos, tricotava uma poesia colorida para colorir quem quer que fosse, para acalentar quem quer que precisasse, para que seu calor se fizesse presente no frio de algum alguém.

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1-caminho-2Não, o caminho não é curto, não termina logo ali. O caminho se faz e se refaz, se desfaz se preciso for… Generoso, ele se estende, se prolonga, continua, de forma que o caminhar te mostra ao mundo, te leva ao mundo, te traz o mundo. Se a necessidade exigir, ele até se repete! O caminho se perpetua no passo dado, na pegada esquecida, no rastro deixado, com ou sem voltas, dentro ou fora dos rodopios impostos pelas ações, pelas reações, pelas locuções e interseções.

Ninguém foi em vão, ninguém veio à toa, ninguém chegou lá ou aqui sem querer, sem saber. No propagar das idas, as vindas se refazem e se complementam; no entra e sai do tempo, começamos cedo para, satisfeitos ou não, terminarmos à noitinha, no compasso das horas, no bater ritmado e incessante dos ponteiros. No surgir da lua, que sobrepõe-se e antecede o sol, somos mais do que imaginávamos poder ser, mesmo que não percebamos.

E nesse vai e vem, entra e sai, chega e fica, seja em meio a erros ou acertos, valem as tentativas; vale a vontade de crescer, o desejo de se fazer gente e a incerteza do paradeiro. Aliás, ‘paradeiro’ não deveria ser o termo… Remete à estagnação! Se permitido nos fosse inventar palavras e atribuir-lhes sentido próprio (e será que não o é?!), deveríamos, na realidade, usar o ‘estadeiro’, no sentido do provisório, da continuidade, do ininterrupto, já que a estrada segue, já que o caminho não é curto, e não termina logo ali… E nessa vida de muito mais, só o que nos cabe, é não parar, não se deixar levar por aquilo ou aqueles que nos arrastam para trás; não se permitir engrupir por palavras vazias que não dizem nada apesar de apontarem tudo, de condenarem tudo. Não, seu moço, eu não sei onde vou chegar, não sei nem pra onde estou indo exatamente… Só sei que eu vou, que você vai e, quem sabe, qualquer dia desses, em qualquer desses tempos, a gente se esbarra por lá.

*****

“Eu vou no passo do cavalo baio.
Entre bandeiras, sabres e farrapos
Eu vou no passo do tambor que chama
No passo de quem não sabe se volta
Eu vou no passo de quem vai pra guerra
Por liberdade, honra e terra…”

(Cavalo Baio – Marcus Vianna)

Recomendo, para quem se identificou com este texto, uma outra publicação do blog: Tempo.

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A vida é, supostamente, construída a partir de cada escolha que fazemos. As escolhas nos fornecem o momento seguinte e, as conclusões que tiramos daquilo que nos acontece, fomentam as próximas escolhas. Um ciclo, cujo declínio ou sobrevivência, podem estar bem delineado nas palmas de nossas mãos e nas opções que consideramos certezas. Nem sempre o momento em que as escolhas acontecem é guiado por uma única força. Bem e mal podem andar em uma mesma direção e, junto de um ou outro, tomamos nossos rumos, talvez nos deixando levar pela correnteza unidirecional do rio místico que se apresenta à nós. Sendo assim, aquele que não se atreve escolher ou determinar sua própria posição, pode ver-se arrastado por esse rio e dominado pela correnteza antes da hora, afogando-se naquilo que for determinado pela força prevalecente do momento, seja bem, ou seja mal. Ou você em algum dia refutou a possibilidade de que tais forças poderiam, de fato, andar em uma mesma direção?

Quem não se compromete, não se atreve às escolhas, é tomado por essa força que não permite lutas contra seu fadado rumo. Por mais que eventos sirvam de desculpa, por mais que se apele para instintos primitivos, escolhas se fazem e são feitas, determinando o rumo na correnteza, traçando o curso místico do rio que nos levará e guiará. E, ainda assim, em se tratando de escolhas, quantas oportunidades podem surgir disfarçadas de soluções sem que as sejam de verdade? Quantas escolhas erradas podem ser feitas sem que se tome conhecimento disso. Erradas?!… Será que entre bem e mal existe certo e errado? Será que é possível conter o rio místico?…

Muitas vezes nos sentimos como seres arrastados por essa correnteza, sem nenhuma possibilidade de escolha, apenas carregados e sem forças para lutar. Em um insight percebemos que se escolha não for feita no momento crucial os abalos causados em nossa natureza são ou podem ser irrecuperáveis e o lançar-se ao rio mostra-se iminente. Em outras, nos descobrimos fortes o suficiente para optar entre uma ou outra força, mas isso demanda consciência e responsabilidade, fatores que nem sempre são dons de todos, alterando um pouco o curso do rio. Nessas ocasiões, o discernimento entre fazer a escolha mensurando as duas forças nos permite compreender e até apiedarmos-nos dessas figuras que não sentem-se livres para suas escolhas e, devido a isso, tem sua natureza deflorada, tornando-se vampiros de si próprios, confusos e dissonantes entre vida e moral. Figuras leves que o rio místico arrasta fácil e a correnteza traga; sem alegria de viver, sem nenhum medo de morrer, que inconscientemente fazem dos antônimos os sinônimos de sua própria perdição.

Há momentos em que o teor de algumas palavras aparentemente me confunde. Refletindo sobre bem e mal e sobre o que é considerado pecado mortal, fico cá me perguntando o que é daquele que, de alguma forma, não o pratica… O que será? O que acontece com quem não tem ou não alimenta, mesmo que por defesa, um pouco de mal em si? Não vejo nada de tão profano em considerar as duas possibilidades, assim como manter idéias contraditórias em uma linha tênue entre a santidade e a loucura, entre limites e imensidão. Ninguém foge do rio místico… E quando chegar o momento em que, por ventura ou desventura, tenhamos que nos lançar a ele, ou que sejamos lançados a ele, que cada um de nós que soube considerar suas possibilidades e suas escolhas reconhecendo que a seu lado tem dois lados, carregue consigo as duas moedas de Caronte, o barqueiro, para que não sejamos lesados pelas conseqüências resplandecentes do fim.

Não, ninguém foge do rio místico. Ele sempre estará lá, em algum lugar, em algum momento, olhando pra nós e nós olhando pra ele.

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“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro.Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” ( Friedrich Nietzsche)

 

 

A mente tem o estranho dom de construir buracos ou armadilhas, e frente a eles, nos agarramos com força, selando as mãos ao que se encontra ao alcance delas, mesmo que sejam apenas paredes ilusórias e muros inexistentes de proteção e contenção de tudo aquilo que se encontra tão dentro de nós. Cada um de nós guarda um monstro debaixo da cama ou um fantasma atrás da porta. Assim como a criança borra e encharca as calças em confronto com o imaginário, borramos nossos dias com os pensamentos sombrios que o medo nos desperta e encharcamos nossas almas com sensações que não explicamos, não entendemos. Sensações que não sabemos de onde vem; apenas que existem e tornam-se presentes nos momentos mais inadequados.

Reféns daquilo que não escolhemos, mas elegemos como inimigo, enveredamos por um labirinto de traças que nos perseguem e mergulhamos em um emaranhado de riscos que nos sufocam. Afoitos por sobrevivência e perdidos em toda essa alucinação voluntária, buscamos a via de salvação.

Nos defendemos do medo com as armas próprias que o medo nos fornece, sejam um grito ou uma lágrima, e, tontos em um carrossel assombrado de pensamentos irreais, descobrimos o momento propício de enfrentar o medo após tempos de refúgio e tremedeiras. Da desgraça, pintamos a gravura mais bonita; na escuridão criamos o feixe de luz vívida; na jornada arriscada desta quase letargia, nos tornamos íntimos desse opressor. Como se vencer o medo fosse semelhante ao aliar-se a ele, no medo que nos faz fracos, nos fazemos fortes; nos fazemos cúmplices das possíveis ameaças que tanto nos incomodam. Driblamos o medo até mesmo por medo de não suportar tal medo por tanto tempo; ou nos tornamos frutos esculpidos por ele para, na seqüência, sermos poderosos além de nossas medidas. 

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