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Posts Tagged ‘filmes’

Ultimo mês do ano começando e há tempo para se preparar para uma maratona de filmes! Evidentemente, por ser cinéfila assumida e DVD maníaca, eu não poderia deixar passar em branco o  Natal na sétima arte. Sem intenção de apontar melhores ou piores, selecionei uma lista (que deveria ter ficado menor, porém, confesso que me empolguei!) de filmes natalinos. Sejam comédias, animações, dramas, ou qualquer outro gênero, se soubermos e quisermos olhar além e refletir um pouco sobre a mensagem de cada uma dessas obras, certamente teremos gratas surpresas.

o-grinchO Grinch (The Grinch – 2000): O Grinch é uma criatura verde e mesquinha que odeia o espírito de Natal. Ele pretende estragar a festa dos moradores de Quem-lândia roubando presentes e enfeites com a ajuda de seu cãozinho Max. Ao mesmo tempo, a pequena Cindy Lou Quem moradora de Quem-lândia, observa as pessoas pensando apenas em compras, presentes e enfeites e quer saber o significado do Natal. Os caminhos de Cindy Lou e do Grinch se cruzarão e, juntos, conhecerão o verdadeiro espírito do Natal. O filme é uma fábula sobre diferenças e diversidades, onde a disputa de crenças e gostos se faz presente, além demostrar a inveja (fator destrutivo) de forma divertida e reflexiva.

1418908899os_fantasmas_de_scrooge2_fixed_bigOs Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol – 2009): O Natal se aproxima e, como sempre, Ebenezer Scrooge  mantém seu desprezo pela data. Milionário e muito mesquinho, ele só pensa em dinheiro e não dá espaço para a emoção em seu coração, maltratando Bob Cratchit, seu fiel assistente, e ignorando seu sobrinho Fred. Com a morte de seu sócio, Ebenezer recebe a visita de três fantasmas do Natal: do passado, do presente e do futuro. Cada um deles levará o velho ranzinza para uma viagem que o ajudará a refletir melhor sobre sua vida passada e a escolha que fará para o futuro. Essa revisão de valores imposta pelos fantasma propõe a Scrooge uma reformulação de vida, essencial a tantos que todos nós conhecemos.

home-aloneEsqueceram de Mim (Home Alone – 1990): Em Chicago, uma família inteira planeja passar o Natal em Paris. Porém, em meio às confusões de viagem um dos filhos, com apenas 8 anos, é esquecido em casa. Assim, o garoto se vê obrigado a se virar sozinho e a defender a casa de dois ladrões. O filme é extremamente divertido e, apesar de criticado devido às inúmeras reprises  na TV nessa época do ano, ainda cativa o público, além da mensagem que transmite sobre diferenças e possibilidade de aproximação, a partir do enredo desenvolvido entre o personagem principal e um vizinho idoso, descriminado pela vizinhança. Este filme apresenta três sequências; a segunda (Esqueceram de Mim 2 – Perdido Em Nova York) apresenta a mesma qualidade e elenco, já as outras duas são meio duvidosas.

19898542-jpg-c_300_300_x-f_jpg-q_x-xxyxxSobrevivendo Ao Natal (Surviving Christmas – 2004): Um homem rico, cansado de passar o Natal sozinho e abandonado pela namorada nesta data,  decide retornar à casa onde cresceu, na esperança de recuperar o espírito natalino e as grandes festas da época. Porém, no local vive uma família completamente desconhecida. Decidido a ter novamente um Natal em família, ele faz uma insólita proposta: oferece US$ 250 mil para que eles sejam sua família no Natal. Essa convivência não será das mais fáceis. O filme trata da solidão dos dias vazios de sentimentos e repletos de afazeres que acabam afastando as pessoas do que deveria ser privilegiado: família, pessoas, sentimentos, convivência.

natal-muito-muito-louco02Um Natal Muito, Muito Louco (Christmas with the Kranks -2004): Os Kranks sempre passaram o Natal juntos, mas este ano será diferente. Com a filha trabalhando como voluntária do Corpo de Paz no Peru, Luther e Nora já estão se conformando em ter que passar um Natal solitário. Até que Luther vê um cartaz exposto em uma agência de viagens, anunciando uma excursão ao Caribe. Ao fazer as contas Luther percebe que, caso sua família não tenha uma festa natalina, ele e Nora poderão viajar. Inicialmente relutante, Nora termina por concordar com a idéia, o que gera desagrado entre os vizinhos. De maneira irreverente o filme mostra o quanto pode ser prazeroso um feriado natalino junto daqueles que amamos, além de enfatizar, mesmo que indiretamente, o valor das tradições, já tão menosprezadas atualmente.

os-fantasmas-contra-atacamOs Fantasmas Contra-Atacam (Scrooged – 1988): Nos dias atuais, Frank Cross é um diretor de uma rede de televisão que é frio e só pensa na audiência. Ele encontra com Lew Hayward, um falecido amigo, que o avisa sobre três fantasmas (o do Natal Passado, Presente e Futuro) que irão visitá-lo e diz para ele estar atento a tudo que eles mostrarem, pois esta é a única oportunidade de Frank se salvar. Trata-se aqui de uma versão moderna do conto de Dickens, porém não menos atraente e que também aponta para a reformulação de vida, que pode gerar vida nova e perspectivas mais felizes.

surpresasSurpresas do Amor (Four Christmases – 2008): Todo Natal Brad e Kate seguem uma tradição criada desde quando se conheceram: livram-se das neuroses de suas famílias e viajam para algum local exótico e ensolarado, onde possam passar as férias. Só que neste ano eles não podem seguir o plano, já que um nevoeiro cancela todos os vôos do aeroporto de São Francisco. Para piorar eles são filmados por uma equipe local de notícias, o que faz com que suas famílias saibam onde estão. Sem terem como escapar, eles são obrigados a passar o Natal com suas famílias. Quatro vezes, já que precisam lidar com o pai e a mãe de cada um deles.Apesar de se tratar de uma comédia romântica, gênero condenado por muitos, o filme mostra a realidade das famílias modernas, divididas entre diversas casas por conta de pais separados e novas famílias constituídas.

papai-noel-existePapai Noel Existe (The Night They Saved Christmas – 1984): Pólo Norte, na Durante a época do Natal, uma companhia de petróleo procura um grande lençol petrolífero no Pólo Norte. A pior conseqüências dessa busca seria provocar uma explosão que poderá destruir a casa secreta do Papai Noel. A mulher de um engenheiro responsável pelo projeto toma consciência da situação ao conversar com o bom velhinho e pretende fazer todo o possível para ajudá-lo. Esbarramos aqui no tão enaltecido capitalismo, e nos fica clara a definição de que tudo, inclusive o lar-doce-lar de Papai Noel, pode ser posto a baixo para ceder espaço a uma nova via exploratória, que venha a trazer benefícios financeiros.

oestranhomundodejackO Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas – 1993): Jack Skellington é um ser fantástico que vive na Cidade do Halloween, um local cercado por criaturas fantásticas. Lá todos passam o ano organizando o Halloween do ano seguinte mas, após mais um Halloween, Jack se mostra cansado de fazer aquilo todos os anos. Assim ele deixa os limites da Cidade do Halloween e vagueia pela floresta. Por acaso acha alguns portais, sendo que cada um leva até um tipo festividade. Jack acaba atravessando o portal do Natal, onde vê demonstrações do espírito natalino. Ao retornar para a Cidade do Halloween, sem ter compreendido o que viu, ele começa a convencer os cidadãos a sequestrarem o Papai Noel e fazerem seu próprio Natal. Apesar de argumentos fortes de sua leal namorada Sally contra o projeto, o Papai Noel é capturado. Mas os fatos mostrarão que Sally estava totalmente certa. Lidamos mais uma vez com a cobiça, porém de forma divertida: a criatura diferente que não se satisfaz com o que tem e cria planos mirabolantes para destruir ou alterar aquilo que foge a sua realidade.

filmetitionoelTitio Noel (Fred Claus – 2007): O Papai Noel tem um irmão: Fred Claus, que viveu sua vida inteira atrás da grande sombra de seu irmão. Ele tentou, mas nunca poderia preencher as expectativas do exemplo deixado pelo mais novo Papai Noel. Agora o trambiqueiro Fred acabou na cadeia e após ter sua fiança paga, ele precisa ir para o Pólo Norte pagar sua dívida fabricando brinquedos. O filme ‘brinca’ com a rivalidade comum entre irmãos, porém aqui trata-se a situação de forma divertida e leve; mostra também que a crise pode aproximar e desfazer impressões, por mais que estas estejam enraizadas.

santa-claus-a-verdadeira-historia-de-papai-noelA Verdadeira História de Papai Noel (Santa Claus – 1985): Esta é a deliciosa história de um mestre em fazer brinquedos que descobre o reino mágico dos duendes no Pólo Norte. Lá ele recebe poderes especiais surpreendentes para se transformar no símbolo do Natal mais amado do mundo – Papai Noel! Na fábrica encantada ele conhece Patch, um duende ajudante que entra numa grande confusão com um magnata da indústria de brinquedos que planeja dominar o Natal. E assim começa a maior de todas as aventuras do Papai Noel para salvar o seu leal duende e o Natal de todas as crianças do mundo! Novamente o capitalismo em voga e ameaçando o Natal.

joyeux-noel1Feliz Natal (Joyeux Noel – 2006): Natal de 1914, em plena 1ª Guerra Mundial. A neve e presentes da família e do exército ocupam as trincheiras francesas, escocesas e alemãs, envolvidas no conflito. Durante a noite os soldados saem de suas trincheiras e deixam seus rifles de lado, para apertar as mãos do inimigo e confraternizar o Natal. É o suficiente para mudar a vida de um padre anglicano, um tenente francês, um grande tenor alemão e sua companheira, uma soprano. O filme mostra que os sentimentos que permeiam o Natal podem fazer com que adversários venham a se unir em comemoração pela data. Efêmero? Superficial? Não. Mais uma grande obra, repleta de questionamentos importantes; um filme de guerra que mostra como fazer a paz.

expresso-polarO Expresso Polar (The Polar Express – 2004):  O filme conta a história de um menino que não acredita mais em Papai Noel, mas acaba embarcando em uma viagem mágica, que tem por objetivo trazer de volta a magia do Natal para crianças incrédulas.  A história fala da desesperança, da descrença daqueles que se veem envolvidos em realidades diferentes: o menino que não mais acredita, porém sente que precisa acreditar, e decide dar a sua imaginação, meios de lhe devolver essa crença e lhe encher de esperanças novamente.

rudolph-a-rena-do-nariz-vermelhoA Rena do Nariz Vermelho (Rudolph: The Red Nosed Reindeer – 1964): Animação stop motion, produzida para a TV americana em um especial patrocinado pela General Electric. Conta a história de Rudolph, uma pequena rena que é humilhada pelos seus amiguinhos por ter o nariz vermelho. Quando o Natal é ameaçado devido a uma terrível tempestade de neve que impede o Papai Noel de entregar os presentes, Rudolph tem a chance de provar seu valor.  O filme lida com fraquezas: até que ponto os considerados fracos realmente o são; e até que ponto uma capacidade menor de força representa impossibilidade?

milagreMilagre na Rua 34 (Miracle on 34th Street – 1994): Em plena época do Natal, Susan (Mara Wilson), uma garotinha muito inteligente e esperta, afirma que Papai Noel não existe. Porém, um senhor muito bondoso, de olhos brilhantes, com uma “ampla” barriga e barba branquinha é contratado para trabalhar como Papai Noel na loja de brinquedos Macy’s, em que sua mãe Doris Walker trabalha. O que ninguém podia esperar é que o velhinho que diz se chamar Kris Kringle afirma ser o verdadeiro Papai Noel que está ali justamente para provar para a garotinha e para muitas pessoas que ele é real. O filme coloca a fé de todos  em teste quando questiona claramente: Você acredita em Papai Noel? A primeira versão do filme data de 1947.

anio-de-vidroAnjo de Vidro (Noel – 2004): É Natal em Nova York. As ruas estão cobertas de neve, músicas natalinas estão por toda parte e as pessoas andam apressadas em direção às lojas, para comprar os presentes de última hora. Porém um grupo de pessoas está completamente à parte deste clima. Alguns deles são Rose, uma mulher emocionalmente frágil cuja mãe está no hospital, e Mike, um policial que briga com um homem mais velho. Porém alguns encontros na véspera de Natal fazem com que eles repensem a vida, revejam conceitos e alterem algumas perspectivas. Um drama que envolve e comove, mostrando que sempre é possível ir além, promover encontros e superar dificuldades.

felicidade-nc3a3o-se-compraA Felicidade Não Se Compra (It’s A Wonderful Life – 1946): No Natal, um homem que sempre ajudou a todos, pensa em se suicidar saltando de uma ponte, em razão das maquinações de um magnata da região. Mas tantas pessoas oram por ele que Clarence um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é mandado a Terra, para tentar fazer George mudar de idéia, demonstrando sua importância através de flashbacks. Este faz rever atitudes e conceitos, além de fazer chorar muito também!

1Um Duende Em Nova York (Elf – 2003):  Buddy é um humano que foi criado no Pólo Norte e acaba se transformando em um elfo. Após ter problemas na comunidade em que vive e incomodado com sua rotina, ele decide largar tudo e partir rumo a Nova York. Seu objetivo é encontrar seu pai, e quando isso acontece ele se decepciona ao saber que trata-se de  um espertalhão que não acredita em Papai Noel. Mesmo parecendo piegas e bobo, é divertido pra quem busca distração e risadas. Além disso, o final traz uma grata mensagem de união e solidariedade, capaz até de fazer chorar.

black_christmasNatal Negro (Black Christmas – 1974): Uma trama natalina de terror inovando e mesclando gêneros. O filme mostra uma história de vingança de um menino que, após crescer e ter sofrido torturas durante sua infância, matando seus pais na noite de Natal, tenta voltar a cada ano e fazer novas vítimas. É um filme muito interessante pois mexe com o Natal, um feriado que é sempre tratado com pureza, benevolência, e outros sentimentos deste tipo. Tem uma versão que data de 2007, mas peca em qualidade.

fc3a9rias-frustradasFérias Frustradas De Natal (Christmas Vacation – 1989): No intuito de inovar e agradar a família neste Natal, Clark Griswold lhes promete um Natal tradicional, porém isso foge seu controle e a programação acaba não saindo como deveria.  Há quem diga que o filme é trash, é besteirol… E daí?! Imaginem a família mais atrapalhada do mundo tentando ter um feliz Natal. Pois é! Diversão garantida e, talvez, poucas reflexões, pois as gargalhadas não cedem espaço a elas. Não é o meu caso, mas há um grande número de pessoas que considera esse como o melhor filme natalino de todos os tempo.

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Claro que foram muitos, mas foram poucos; foram tantos e não foram todos… Boa parte destes filmes eu tenho em meu acervo  (alguns só consegui adquirir em locadoras que estavam encerrando suas atividades – sim, sou rata de locadora!), e os que não tenho, procuro incessantemente mundo a fora. Seja comédia, drama, terror ou animação, há muitos filmes natalinos e se eu fosse falar de todos eles um blog seria pouco, quanto mais um artigo. Poderiam ser incluídos aí também  “Natal Branco”, “Um Natal Brilhante”, “Papai Noel Trapalhão”, “Meu papai É Noel” (uma trilogia!), “Gremlins”, “Duro de Matar” e “Adoráveis Mulheres” (estes três últimos fazendo referência à data, apesar de não serem filmes tipicamente natalinos), entre inúmeros outros. O que não faltam são opções! Entretanto, como se pode ver a partir de cada sinopse aqui apresentada, há sempre algo que remete à reflexão. Portanto, ficam as dicas para aqueles que gostam de filmes e do clima da época natalina.

 

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Este foi um filme que assisti sem esperar nada e me surpreendi a ponto de incluí-lo na lista dos meu favoritos! Desde a história (simples e singela, porém forte) até a fotografia (gravado na Escócia), tudo me encantou e eu o indico para dias como o de hoje: chuvosos e frios, onde boa parte das pessoas busca por tranquilidade embaixo das cobertas. Trata-se, à princípio, de uma família composta pela mãe, a avó e o menino, que sonha em estar com o pai e movido por este sonho lhe escreve cartas, que são enviadas ao destinatário pela mãe.

O menino, Frankie (Jack McElhone), é surdo e se expressa muito pouco, mostrando personalidade introspectiva e retraída. Sua surdez, segundo a mãe Lizzie (Emily Mortmer) foi “um presente do pai”. Apesar de sua personalidade, Frankie é inteligente e desconhece o segredo e os medos de sua mãe, que busca sempre mudar de moradia, trocando inclusive de cidade. Por desconhecer estes temores por amor, Frankie insiste em escrever ao pai, recebendo como respostas cartas esporádicas, narrando as peripécias deste em um navio.

O sonho de Frankie é rever o pai, porém ele desconhece o fato deste estar completamente ausente, sendo sua mãe quem lhe responde às cartas enviadas. Trata-se de uma mentira sustentada pela mãe durante muitos anos, com intuito de amenizar o sofrimento do menino e, consequentemente, mantê-lo afastado do pai. Frente ao desespero do filho, que sofre bulling na escola por ‘não ter pai’, e a descoberta de que o navio onde o pai supostamente está embarcado passará pela cidade, a mãe (que insiste em fugir da realidade) decide contratar um estranho (Gerald Buttler) para se apresentar ao menino, fazendo o papel de seu pai. Ela faz o extremo para que seu filho mantenha a ilusão de ter um (bom) pai. Entretanto, o que ela não esperava era que a aproximação entre seu filho e o estranho tivesse o encaixe perfeito não somente na vida do menino, mas também na vida dela.

Crueldade? Não sei. Egoísmo da mãe? Talvez. O que acontece é que para Lizzie, manter a farsa é a única maneira de ‘ouvir a voz de seu filho’, pois, quem lê as cartas por ele enviadas é ela e, nestes momentos de leitura, é como se a voz do menino se produzisse em seus ouvidos, revelando sentimentos que, pessoalmente, em suas ações, ele insiste em resguardar.

Não há como negar que o filme mexe com a gente, além de (no meu ponto de vista) apresentar uma das cenas de beijo (ou quase isso!) mais belas do cinema.

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Sem grandes efeitos especiais, o filme preza pelo humano, pela alma e, consequentemente, consegue tocá-la com maestria. Diversos momentos favorecem reflexões que são inesperadas ao segurar a caixa do DVD antes de assisti-lo. Ao espectador, duas opções: olhar como um cético ou assisti-lo como aqueles que prezam o amor puro.

Indico este filme para quem ainda não assistiu, para quem já assistiu, para quem nunca ouviu falar e para quem espera por diversão despretensiosa e história leve. Vale a pena!

*******

FICHA TÉCNICA: 
Título Original: Dear Frankie 
Gênero: Drama 
Tempo de Duração: 102 minutos 
Ano de Lançamento (Inglaterra): 2004 
Site Oficial: http://www.miramax.com/dearfrankie 
Estúdio: Pathé Pictures Ltd. / Scorpio Films Ltd. / Sigma Films Ltd. / Scottish Scren / UK Film Council 
Distribuição: Miramax Films / Buena Vista International 
Direção: Shona Auerbach 
Roteiro: Andrea Gibb 
Produção: Caroline Wood 
Música: Alex Heffes 
Fotografia: Shona Auerbach 

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Evidentemente, por ser cinéfila assumida e DVD maníaca, eu não poderia deixar passar em braço o Natal na sétima arte. Sem intenção de apontar melhores ou piores, selecionei uma lista (que deveria ter ficado menor, porém, confesso que me empolguei!) de filmes natalinos. Sejam comédias, animações, dramas, ou qualquer outro gênero, se soubermos e quisermos olhar além e refletir um pouco sobre a mensagem de cada uma dessas obras, certamente teremos gratas surpresas.

O Grinch (The Grinch – 2000): O Grinch é uma criatura verde e mesquinha que odeia o espírito de Natal. Ele pretende estragar a festa dos moradores de Quem-lândia roubando presentes e enfeites com a ajuda de seu cãozinho Max. Ao mesmo tempo, a pequena Cindy Lou Quem moradora de Quem-lândia, observa as pessoas pensando apenas em compras, presentes e enfeites e quer saber o significado do Natal. Os caminhos de Cindy Lou e do Grinch se cruzarão e, juntos, conhecerão o verdadeiro espírito do Natal. O filme é uma fábula sobre diferenças e diversidades, onde a disputa de crenças e gostos se faz presente, além demostrar a inveja (fator destrutivo) de forma divertida e reflexiva.

Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol – 2009): O Natal se aproxima e, como sempre, Ebenezer Scrooge  mantém seu desprezo pela data. Milionário e muito mesquinho, ele só pensa em dinheiro e não dá espaço para a emoção em seu coração, maltratando Bob Cratchit, seu fiel assistente, e ignorando seu sobrinho Fred. Com a morte de seu sócio, Ebenezer recebe a visita de três fantasmas do Natal: do passado, do presente e do futuro. Cada um deles levará o velho ranzinza para uma viagem que o ajudará a refletir melhor sobre sua vida passada e a escolha que fará para o futuro. Essa revisão de valores imposta pelos fantasma propõe a Scrooge uma reformulação de vida, essencial a tantos que todos nós conhecemos.

Esqueceram de Mim (Home Alone – 1990): Em Chicago, uma família inteira planeja passar o Natal em Paris. Porém, em meio às confusões de viagem um dos filhos, com apenas 8 anos, é esquecido em casa. Assim, o garoto se vê obrigado a se virar sozinho e a defender a casa de dois ladrões. O filme é extremamente divertido e, apesar de criticado devido às inúmeras reprises  na TV nessa época do ano, ainda cativa, além da mensagem que transmite sobre diferenças e possibilidade de aproximação, a partir do enredo desenvolvido entre o personagem principal e um vizinho idoso, descriminado pela vizinhança. Este filme apresenta três sequências; a segunda (Esqueceram de Mim 2 – Perdido Em Nova York) apresenta a mesma qualidade e elenco, já as outras duas são meio duvidosas.

Sobrevivendo Ao Natal (Surviving Christmas – 2004): Um homem rico, cansado de passar o Natal sozinho,  decide retornar à casa onde cresceu, na esperança de recuperar o espírito natalino e as grandes festas da época. Porém, no local vive uma família completamente desconhecida. Decidido a ter novamente um Natal em família, ele faz uma insólita proposta: oferece US$ 250 mil para que eles sejam sua família no Natal. Essa convivência não será das mais fáceis. O filme trata da solidão dos dias vazios de sentimentos e repletos de afazeres que acabam afastando as pessoas do que deveria ser privilegiado: família, pessoas, sentimentos, convivência.

Um Natal Muito, Muito Louco (Christmas with the Kranks -2004): Os Kranks sempre passaram o Natal juntos, mas este ano será diferente. Com a filha trabalhando como voluntária do Corpo de Paz no Peru, Luther e Nora já estão se conformando em ter que passar um Natal solitário. Até que Luther vê um cartaz exposto em uma agência de viagens, anunciando uma excursão ao Caribe. Ao fazer as contas Luther percebe que, caso sua família não tenha uma festa natalina, ele e Nora poderão viajar. Inicialmente relutante, Nora termina por concordar com a idéia, o que gera desagrado entre os vizinhos. De maneira irreverente o filme mostra o quanto pode ser prazeroso um feriado natalino junto daqueles que amamos, além de enfatizar, mesmo que indiretamente, o valor das tradições, já tão menosprezadas atualmente.

Os Fantasmas Contra-Atacam (Scrooged – 1988): Nos dias atuais, Frank Cross é um diretor de uma rede de televisão que é frio e só pensa na audiência. Ele encontra com Lew Hayward, um falecido amigo, que o avisa sobre três fantasmas (o do Natal Passado, Presente e Futuro) que irão visitá-lo e diz para ele estar atento a tudo que eles mostrarem, pois esta é a única oportunidade de Frank se salvar. Trata-se aqui de uma versão moderna do conto de Dickens, porém não menos atraente e que também aponta para a reformulação de vida, que pode gerar vida nova e perspectivas mais felizes.

Surpresas do Amor (Four Christmases – 2008): Todo Natal Brad e Kate seguem uma tradição criada desde quando se conheceram: livram-se das neuroses de suas famílias e viajam para algum local exótico e ensolarado, onde possam passar as férias. Só que neste ano eles não podem seguir o plano, já que um nevoeiro cancela todos os vôos do aeroporto de São Francisco. Para piorar eles são filmados por uma equipe local de notícias, o que faz com que suas famílias saibam onde estão. Sem terem como escapar, eles são obrigados a passar o Natal com suas famílias. Quatro vezes, já que precisam lidar com o pai e a mãe de cada um deles.Apesar de se tratar de uma comédia romântica, gênero condenado por muitos, o filme mostra a realidade das famílias modernas, divididas entre diversas casas por conta de pais separados e novas famílias constituídas.

Papai Noel Existe (The Night They Saved Christmas – 1984): Pólo Norte, na Durante a época do Natal, uma companhia de petróleo procura um grande lençol petrolífero no Pólo Norte. A pior conseqüências dessa busca seria provocar uma explosão que poderá destruir a casa secreta do Papai Noel. A mulher de um engenheiro responsável pelo projeto toma consciência da situação ao conversar com o bom velhinho e pretende fazer todo o possível para ajudá-lo. Esbarramos aqui no tão enaltecido capitalismo, e nos fica clara a definição de que tudo, inclusive o lar-doce-lar de Papai Noel, pode ser posto a baixo para ceder espaço a uma nova via exploratória, que venha a trazer benefícios financeiros.

O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas – 1993): Jack Skellington é um ser fantástico que vive na Cidade do Halloween, um local cercado por criaturas fantásticas. Lá todos passam o ano organizando o Halloween do ano seguinte mas, após mais um Halloween, Jack se mostra cansado de fazer aquilo todos os anos. Assim ele deixa os limites da Cidade do Halloween e vagueia pela floresta. Por acaso acha alguns portais, sendo que cada um leva até um tipo festividade. Jack acaba atravessando o portal do Natal, onde vê demonstrações do espírito natalino. Ao retornar para a Cidade do Halloween, sem ter compreendido o que viu, ele começa a convencer os cidadãos a sequestrarem o Papai Noel e fazerem seu próprio Natal. Apesar de argumentos fortes de sua leal namorada Sally contra o projeto, o Papai Noel é capturado. Mas os fatos mostrarão que Sally estava totalmente certa. Lidamos mais uma vez com a cobiça, porém de forma divertida: a criatura diferente que não se satisfaz com o que tem e cria planos mirabolantes para destruir ou alterar aquilo que foge a sua realidade.

Titio Noel (Fred Claus – 2007): O Papai Noel tem um irmão: Fred Claus, que viveu sua vida inteira atrás da grande sombra de seu irmão. Ele tentou, mas nunca poderia preencher as expectativas do exemplo deixado pelo mais novo Papai Noel. Agora o trambiqueiro Fred acabou na cadeia e após ter sua fiança paga, ele precisa ir para o Pólo Norte pagar sua dívida fabricando brinquedos. O filme ‘brinca’ com a rivalidade comum entre irmãos, porém aqui trata-se a situação de forma divertida e leve; mostra também que a crise pode aproximar e desfazer impressões, por mais que estas estejam enraizadas.

A Verdadeira História de Papai Noel (Santa Claus – 1985): Esta é a deliciosa história de um mestre em fazer brinquedos que descobre o reino mágico dos duendes no Pólo Norte. Lá ele recebe poderes especiais surpreendentes para se transformar no símbolo do Natal mais amado do mundo – Papai Noel! Na fábrica encantada ele conhece Patch, um duende ajudante que entra numa grande confusão com um magnata da indústria de brinquedos que planeja dominar o Natal. E assim começa a maior de todas as aventuras do Papai Noel para salvar o seu leal duende e o Natal de todas as crianças do mundo! Novamente o capitalismo em voga e ameaçando o Natal.

Feliz Natal (Joyeux Noel – 2006): Natal de 1914, em plena 1ª Guerra Mundial. A neve e presentes da família e do exército ocupam as trincheiras francesas, escocesas e alemãs, envolvidas no conflito. Durante a noite os soldados saem de suas trincheiras e deixam seus rifles de lado, para apertar as mãos do inimigo e confraternizar o Natal. É o suficiente para mudar a vida de um padre anglicano, um tenente francês, um grande tenor alemão e sua companheira, uma soprano. O filme mostra que os sentimentos que permeiam o Natal podem fazer com que adversários venham a se unir em comemoração pela data. Efêmero? Superficial? Não. Mais uma grande obra, repleta de questionamentos importantes; um filme de guerra que mostra como fazer a paz.

O Expresso Polar (The Polar Express – 2004):  O filme conta a história de um menino que não acredita mais em Papai Noel, mas acaba embarcando em uma viagem mágica, que tem por objetivo trazer de volta a magia do Natal para crianças incrédulas.  A história fala da desesperança, da descrença daqueles que se veem envolvidos em realidades diferentes: o menino que não mais acredita, porém sente que precisa acreditar, e decide dar a sua imaginação, meios de lhe devolver essa crença e lhe encher de esperanças novamente.

A Rena do Nariz Vermelho (Rudolph: The Red Nosed Reindeer – 1964): Animação stop motion, produzida para a TV americana em um especial patrocinado pela General Electric. Conta a história de Rudolph, uma pequena rena que é humilhada pelos seus amiguinhos por ter o nariz vermelho. Quando o Natal é ameaçado devido a uma terrível tempestade de neve que impede o Papai Noel de entregar os presentes, Rudolph tem a chance de provar seu valor.  O filme lida com fraquezas: até que ponto os considerados fracos realmente o são; e até que ponto uma capacidade menor de força representa impossibilidade?

Milagre na Rua 34 (Miracle on 34th Street – 1994): Em plena época do Natal, Susan (Mara Wilson), uma garotinha muito inteligente e esperta, afirma que Papai Noel não existe. Porém, um senhor muito bondoso, de olhos brilhantes, com uma “ampla” barriga e barba branquinha é contratado para trabalhar como Papai Noel na loja de brinquedos Macy’s, em que sua mãe Doris Walker trabalha. O que ninguém podia esperar é que o velhinho que diz se chamar Kris Kringle afirma ser o verdadeiro Papai Noel que está ali justamente para provar para a garotinha e para muitas pessoas que ele é real. O filme coloca a fé de todos  em teste quando questiona claramente: Você acredita em Papai Noel? A primeira versão do filme data de 1947.

Anjo de Vidro (Noel – 2004): É Natal em Nova York. As ruas estão cobertas de neve, músicas natalinas estão por toda parte e as pessoas andam apressadas em direção às lojas, para comprar os presentes de última hora. Porém um grupo de pessoas está completamente à parte deste clima. Alguns deles são Rose, uma mulher emocionalmente frágil cuja mãe está no hospital, e Mike, um policial que briga com um homem mais velho. Porém alguns encontros na véspera de Natal fazem com que eles repensem a vida, revejam conceitos e alterem algumas perspectivas. Um drama que envolve e comove, mostrando que sempre é possível ir além, promover encontros e superar dificuldades.

A Felicidade Não Se Compra (It’s A Wonderful Life – 1946): No Natal, um homem que sempre ajudou a todos, pensa em se suicidar saltando de uma ponte, em razão das maquinações de um magnata da região. Mas tantas pessoas oram por ele que Clarence um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é mandado a Terra, para tentar fazer George mudar de idéia, demonstrando sua importância através de flashbacks. Este faz rever atitudes e conceitos, além de fazer chorar muito também!

Um Duende Em Nova York (Elf – 2003):  Buddy é um humano que foi criado no Pólo Norte e acaba se transformando em um elfo. Após ter problemas na comunidade em que vive e incomodado com sua rotina, ele decide largar tudo e partir rumo a Nova York. Seu objetivo é encontrar seu pai, e quando isso acontece ele se decepciona ao saber que trata-se de  um espertalhão que não acredita em Papai Noel. Mesmo parecendo piegas e bobo, é divertido pra quem busca distração e risadas. Além disso, o final traz uma grata mensagem de união e solidariedade, capaz até de fazer chorar.

Natal Negro (Black Christmas – 1974): Uma trama natalina de terror inovando e mesclando gêneros. O filme mostra uma história de vingança de um menino que, após crescer e ter sofrido torturas durante sua infância, matando seus pais na noite de Natal, tenta voltar a cada ano e fazer novas vítimas. É um filme muito interessante pois mexe com o Natal, um feriado que é sempre tratado com pureza, benevolência, e outros sentimentos deste tipo. Tem uma versão que data de 2007, mas peca em qualidade.

Férias Frustradas De Natal (Christmas Vacation – 1989): No intuito de inovar e agradar a família neste Natal, Clark Griswold lhes promete um Natal tradicional, porém isso foge seu controle e a programação acaba não saindo como deveria.  Há quem diga que o filme é trash, é besteirol… E daí?! Imaginem a família mais atrapalhada do mundo tentando ter um feliz Natal. Pois é! Diversão garantida e, talvez, poucas reflexões, pois as gargalhadas não cedem espaço a elas. Não é o meu caso, mas há um grande número de pessoas que considera esse como o melhor filme natalino de todos os tempo.

Claro que foram muitos, mas foram poucos; foram tantos e não foram todos… Boa parte destes filmes eu tenho em minha coleção, e os que não tenho, procuro incessantemente mundo a fora. Seja comédia, drama, terror ou animação, há muitos filmes natalinos e se eu fosse falar de todos eles um blog seria pouco, quanto mais um artigo. Poderiam ser incluídos aí também  “Natal Branco”, “Um Natal Brilhante”, “Papai Noel Trapalhão”, “Meu papai É Noel”, “Gremlins”, “Duro de Matar” e “Adoráveis Mulheres” (estes três últimos fazendo referência à data, apesar de não serem filmes tipicamente natalinos), entre inúmeros outros. O que não faltam são opções! Entretanto, como se pode ver a partir de cada sinopse aqui apresentada, há sempre algo que remete à reflexão.

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Aparentemente esse é um filme banal, uma comediazinha em meio a generosa safra de muitas outras, porém, as aparências enganam! Há muitos aspectos importantes no filme Click, e eles vão desde a contextualização social do mundo pós-moderno que habitamos, às relações familiares, que encaramos diariamente.

O início do filme mostra a rotina de uma típica família tradicional urbana de classe média nos dias de hoje: pais em meio a filhos que dominam a tecnologia. Por questões sociais e sonhos de consumo, a família trava uma competição material com a realidade, alimentando a crença de que, para conforto financeiro almejado, o provedor deve mergulhar no trabalho e, a partir disso, conquistar a felicidade que o dinheiro pode comprar.

Mediante a pressão entre escolher viver experiências com a família no presente – mas com restrições econômicas (o que acreditam inviabilizar a felicidade) – ou adiar para o futuro tal contato, na expectativa de que, se arduamente dedicar-se ao trabalho presente, poderá desfrutar da família e da situação financeira estável no futuro, Michael Newman (Adam Sandler), o personagem principal, casado com Donna (Kate Beckinsale) e pai de dois filhos, entra numa crise de estresse ao perceber que não sabe utilizar tantos controles remotos sob a mesa de centro da sala. Frente a tal impasse, Michael sai em busca de um controle remoto que possa substituir todos aqueles, porém devido ao adiantado do horário encontra somente a loja “Cama, Mesa e Além” (Bed, Bath & Beyond) aberta. No interior da loja, deita-se em uma cama de onde avista o setor “Além”. Já neste setor, depara-se com o Sr. Morty (Christopher Walken) que lhe oferece um controle remoto universal especial, que torne sua vida menos complicada e faça tudo por ele. Um detalhe importante: o equipamento não pode ser devolvido. (Michael – “Onde estou? O que é isso?” Sr. Morty – “O menu da sua vida!”)

De posse do controle, Michael passa a poder acelerar sua vida em todos os sentidos, e concentra-se em etapas profissionais, visando chegando mais rápido a patamares elevados, na tentativa de alcançar o tempo onde poderá desfrutar de sua felicidade. Acontecimentos corriqueiros são pulados, a rotina deixa de ser vivenciada… Tudo parece artificial (Donna – “Você ainda vai me amar amanhã?” Michael – “Pra todo o sempre!”) demandando apenas respostas que não tomem tempo. Michael deixa de brincar com os filhos, deixa de discutir com a esposa… Entretanto, a partir das preferências e prioridades apresentadas pelo usuário, o controle se auto-programa. Resultado? Michael perde o ‘controle sobre o controle’: torna-se um ser mecânico, dedicando-se exclusivamente ao trabalho, concentrando-se nas possibilidades de promoções profissionais, contudo, sem encontrar sentido nisto, experimentando profunda angústia por perceber que sua vida passa sem ser vivida. Morrem seus cães, morre seu pai, os filhos crescem, a esposa se divorcia dele, e ele não presencia nenhum destes processos ou ciclos.

O tema central do filme é a perda do sentido da vida no tumulto da crise do mundo pós-moderno. Discute o problema enfrentado por centenas de pessoas que vivem em grandes centros urbanos: a tensão decorrente do paradigma entre a competição material em busca da felicidade e a perda do sentido da vida no decorrer desta competição. Imerso no pragmatismo materialista, no relativismo moral, em relações marcadas pelo individualismo e egocentrismo, o Ser Humano contemporâneo vive uma experiência de nilsmo em seu cotidiano. Nesta crise de valores e de referenciais, contextualizada no filme, é discutido seu problema central: o sentido da vida. Diante da irracionalidade do adiantamento dos ciclos naturais de vida, acelerando o morrer, o personagem central encontra o sentido da vida: a existência plena, baseada em valores humanos e solidários. Encarando tudo de forma mais leve, trata de uma sátira ao modo de vida contemporâneo, ou ao viver marcado por um não viver, aproximando o homem daquilo que sempre foi um mistério com o qual ele sempre lutou e nunca aceitou: a morte!

Sabendo disso ou não, com a misteriosa experiência de Michael em acelerar a vida, deixando de vivê-la, e seu confronto final com a morte, o público é convidado a abraçar o sentido da vida; o próprio viver, diante a iminência do morrer. Em paralelo, reflete-se sobre a busca da felicidade, o desconhecimento do seu caminho, a negligência da verdade interior, a perda da vida na tentativa de controlá-la.

Diferente de outras obras mais filosóficas, cuja mensagem encontra-se claramente em seus diálogos, Click pode surpreender em seu contexto geral; um quebra-cabeças a ser montado por quem o assiste. Analisamos a mensagem principal do filme (“Cada escolha que fazemos, decepcionamos alguém… Só temos que ter cuidado para não decepcionar as pessoas erradas!” – Michael) e, ao som de “Making Love out of Nothing at All”,  do Air Supply, nós viajamos com Michael, nessa jornada estranha, aparentemente absurda, porém repleta de decobertas.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Frank Coraci

Elenco: Adam Sandler, Kate Beckinsale, Christopher Walken, Sean Astin, David Hasselhoff, Jennifer Coolidge.

Produção: Jack Giarraputo, Steve Koren, Neal H. Moritz, Mark O’Keefe, Adam Sandler

Roteiro: Jack Giarraputo, Tim Herlihy, Steve Koren, Mark O’Keefe, Adam Sandler

Fotografia: Dean Semler

Trilha Sonora: Teddy Castellucci

Duração: 105 min.

Ano: 2006

País: EUA

Gênero: Comédia

Cor: Colorido

Estúdio: Columbia Pictures Corporation / Revolution Studios / HappyMadison Productions / Original Film

Classificação: Livre

SINOPSE

Michael Newman (Adam Sandler) é casado com Donna (Kate Beckinsale), com que tem Ben (Joseph Castanon) e Samantha (Tatum McCann) como filhos. Michael tem tido dificuldades em ver os filhos, já que tem feito serão no escritório de arquitetura em que trabalha no intuito de chamar a atenção de seu chefe (David Hasselhoff). Um dia, exausto devido ao trabalho, Michael tem dificuldades em encontrar qual dos controles remotos de sua casa liga a televisão. Decidido a acabar com o problema, ele resolve comprar um controle remoto que seja universal, ou seja, que funcione para todos os aparelhos eletrônicos que sua casa possui. Ao chegar à loja Cama, Banho & Além ele encontra um funcionário excêntrico chamado Morty (Christopher Walken), que lhe dá um controle remoto experimental o qual garante que irá mudar suaa vida. Michael aceita a oferta e logo descobre que ela realmente é bastante prática, já que coordena todos os aparelhos. Porém Michael logo descobre que o controle tem ainda outras funções, como abafar o som dos latidos de seu cachorro e também adiantar os fatos de sua própria vida.

***

Para acesso a análise anterior do PsychoMovies (Big Fish), clique aqui.

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Obs.:

Dessa vez a observação vem antes do artigo… Tomando como base o fato da minha profissão não ser novidade pra ninguém e fugindo da hipótese de escrever de forma muito pessoal; agregando isso à minha vertente profissional e a minha veia cinéfila, decidi atrelar meu olhar à análise técnica de alguns filmes que envolvem conteúdo psicológico. Este artigo inaugura a Seção Psycho-Movies, que trará esporadicamente a análise de um filme (independente de gênero) que envolva esse tipo de temática.

*Atenção: contém spoliers sobre o filme.

 

De certa forma, a primeira cena do filme “Peixe Grande E Suas Histórias Maravilhosas” (título em português) já cativa e intriga. Ela mostra o grande peixe que dá nome ao filme; grande não somente em proporções, mas também em esperteza, considerando o fato de nunca ter se deixado pescar. Junto ao peixe conhecemos a primeira das metáforas da obra: os peixes crescem de acordo com o espaço de água de que dispõem. Assim são as pessoas… Por mais medíocre que um ser humano pareça, se ele conseguir espaço e oportunidade para mostrar-se e alcançar algum tipo de evolução, tem grandes chances de crescimento. E o peixe do filme é exatamente Ed Bloom encarregado por si próprio de suprir todas as suas ambições fantasiosas e ir sempre além de onde se encontra.

A história se passa através de narrativas de Ed que, acamado e em seus últimos momentos, insiste em apresentar a vida como uma maravilhosa fantasia, abusando de criatividade, situações mágicas e personagens quase mitológicos. Essa atitude de Ed incomoda seu filho Will Bloom que, por ser já um adulto, não se encanta mais com as histórias do pai. Temos então, um filho frustrado por não conseguir extrair do pai uma história que possa ser considerada real; em contrapartida, temos um pai frustrado com o filho por este insistir em ser um sujeito normal, que abre mão da fantasia em prol da realidade (A gente passa anos tentando corromper uma criança para ela crescer perfeitamente bem.” – Ed Bloom).

Ed tem fascinação por água. Diversos momentos do filme remetem a água, seja no rio onde mora o peixe ou na piscina da casa de Ed onde passava parte de seu tempo. Uma das cenas mais preciosas do filme, portanto, não poderia deixar de se passar em outro local: na banheira de casa. Na semana de sua morte, a esposa Sandra encontra Ed, com roupas, submerso na banheira. Ambos emocionam-se. (“Eu estava secando” – Ed Bloom). Essa cena denota a falta que Ed sentia de poder desfrutar da vida como antes, a necessidade extrema do personagem de poder mergulhar no mundo com a força que apresentava antes de ser acometido pela doença que o consome.

Talvez Ed esteja perdendo até mesmo sua auto-confiança; a mesma auto-confiança que o fez, quando menino, olhar no olho da bruxa… Em uma estripulia de meninos, Ed bate à porta de uma bruxa para desafiá-la e mostrar coragem aos amigos. A bruxa força que seus amigos olhem em seu olho direito e vejam o derradeiro momento de suas mortes. Já Ed recebe dela a opção de escolha e opta por encarar. (“Saber como você vai morrer pode ser bom e ruim. Ruim porque você pode enlouquecer se só pensar naquilo, mas por outro lado, você vai saber que sobreviverá a todo o resto.” – Ed Bloom) De fato, isso muda tudo.  Ele cresce em confiança e conquista tudo a partir de então…

Ciente de suas possibilidades, Ed decide deixar de ser um ‘peixe grande em aquário pequeno’. Usando dessa frase, alia-se ao gigante Karl, a personificação de suas ambições, e segue em sua jornada mágica.

No caminho, uma bifurcação na estrada o leva à Cidade de Spectro. Lá, Ed tem seus sapatos roubados por uma menina e encontra habitantes que fazem da acomodação o único motivo que os prende ao conforto da cidade. Confrontado com essa hipótese, ele escolhe seguir viagem, mesmo sabendo das dificuldades que encontrará com os pés desnudos. De volta à estrada, em seu reencontro com Karl ao ser questionado devido à falta de sapatos ele consegue intrigar mais uma vez (Karl – “O que aconteceu com seus sapatos?” Ed – “Foram na frente.”) Mais adiante no filme tomamos conhecimento de um segundo momento que o leva à mesma cidade e Ed chega à conclusão de que na vez anterior em que esteve lá ‘era cedo demais’ e, nessa segunda vez, ‘é tarde demais’.

Além de Spectro a aventura continua! Ed chega a um circo onde conhece a mulher de seus sonhos e promete a si mesmo que se casará com ela “Dizem que o tempo para quando você conhece o amor da sua vida. O que eles não dizem é que quando volta, volta mais rápido para alcançar” – Ed Bloom). Essa cena é impressionante e remete à sensação que todos temos mediante à paixão. Essa parte da aventura é contada de forma mágica por Ed para sua nora Josephine, fomentando a admiração que a moça nutre por ele.

Os personagens mesclam-se em situações fantasiosas, os sonhos de Ed vagam por mundos obscuros que todos nós conhecemos bem. As aventuras de Ed, desde a infância até a morte, dão ao filme um tom fabuloso; é como folhear um livro e encontra a nós mesmos em cada página, tamanhas as associações que podemos fazer com a vida cotidiana. Como se isso não bastasse, assistir “Big Fish” é sempre uma novidade; cada vez que revemos descobrimos algo novo e nos vemos como protagonistas de um mergulho qualquer… Entre armadilhas psicológicas e clichês fenomenais, somos sugados para o mesmo rio onde nada o peixe.

Por explorar magistralmente o imaginário enrustido em cada ser humano e o leque de possibilidades que ele oferece, “Big Fish” pode ser o que quiser… Pode ser uma história de pai e filho… Pode ser uma discussão entre imaginação e realidade…Pode ser um elogio à oralidade das histórias… Pode ser o que cada espectador permitir que seja. Cada momento torna-se único, como em uma obra de arte, todos engendrados em um objetivo: fazer com que Will compreenda o pai antes de sua morte. Destaque para o desfecho do filme, a ligação definitiva entre pai e filho, e a coroação da primeira e mais importante história que ouvimos: a do Peixe Grande, ao som de “Man of The Hour”, do Pearl Jam. (“Um homem conta suas histórias tantas vezes… que se torna as histórias. Elas sobrevivem a ele. E desta forma, ele se torna imortal.” – Will Bloom)

FICHA TÉCNICA:

 

Diretor: Tim Burton

Elenco: Ewan McGregor, Albert Finney, Jessica Lange, Danny De Vito, Billy Crudup, Marion Cottilard, Helena Bonham Carter, Miley Cyrus.

Produção: Bruce Cohen, Dan Jinks, Richard D. Zanuck

Roteiro: John August, baseado em romance de Daniel Wallace

Fotografia: Philippe Rousselot

Trilha Sonora: Danny Elfman

Duração: 125 min.

Ano: 2003

País: EUA

Gênero: Drama

Cor: Colorido

Estúdio: Columbia Pictures Corporation

 

SINOPSE:

Edward Bloom (Albert Finney) sempre foi um contador de histórias sobre sua extravagante vida quando jovem (Ewan McGregor), quando seu desejo de viajar o levou de uma pequena cidade no Alabama para uma volta ao mundo. Suas explorações místicas variam do divertimento ao delírio, quando conta histórias sobre gigantes, feiticeiras e duas cantoras gêmeas siamesas. Com suas narrações exageradas, Bloom encanta a quase todos que encontra, exceto seu filho Will (Billy Crudup). Quando sua mãe Sandra (Jessica Lange) tenta aproximá-los, Will precisa aprender a separar a realidade da ficção conhecendo os grandes feitos e derrotas de seu pai.

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