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Posts Tagged ‘Natal’

Ultimo mês do ano começando e há tempo para se preparar para uma maratona de filmes! Evidentemente, por ser cinéfila assumida e DVD maníaca, eu não poderia deixar passar em branco o  Natal na sétima arte. Sem intenção de apontar melhores ou piores, selecionei uma lista (que deveria ter ficado menor, porém, confesso que me empolguei!) de filmes natalinos. Sejam comédias, animações, dramas, ou qualquer outro gênero, se soubermos e quisermos olhar além e refletir um pouco sobre a mensagem de cada uma dessas obras, certamente teremos gratas surpresas.

o-grinchO Grinch (The Grinch – 2000): O Grinch é uma criatura verde e mesquinha que odeia o espírito de Natal. Ele pretende estragar a festa dos moradores de Quem-lândia roubando presentes e enfeites com a ajuda de seu cãozinho Max. Ao mesmo tempo, a pequena Cindy Lou Quem moradora de Quem-lândia, observa as pessoas pensando apenas em compras, presentes e enfeites e quer saber o significado do Natal. Os caminhos de Cindy Lou e do Grinch se cruzarão e, juntos, conhecerão o verdadeiro espírito do Natal. O filme é uma fábula sobre diferenças e diversidades, onde a disputa de crenças e gostos se faz presente, além demostrar a inveja (fator destrutivo) de forma divertida e reflexiva.

1418908899os_fantasmas_de_scrooge2_fixed_bigOs Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol – 2009): O Natal se aproxima e, como sempre, Ebenezer Scrooge  mantém seu desprezo pela data. Milionário e muito mesquinho, ele só pensa em dinheiro e não dá espaço para a emoção em seu coração, maltratando Bob Cratchit, seu fiel assistente, e ignorando seu sobrinho Fred. Com a morte de seu sócio, Ebenezer recebe a visita de três fantasmas do Natal: do passado, do presente e do futuro. Cada um deles levará o velho ranzinza para uma viagem que o ajudará a refletir melhor sobre sua vida passada e a escolha que fará para o futuro. Essa revisão de valores imposta pelos fantasma propõe a Scrooge uma reformulação de vida, essencial a tantos que todos nós conhecemos.

home-aloneEsqueceram de Mim (Home Alone – 1990): Em Chicago, uma família inteira planeja passar o Natal em Paris. Porém, em meio às confusões de viagem um dos filhos, com apenas 8 anos, é esquecido em casa. Assim, o garoto se vê obrigado a se virar sozinho e a defender a casa de dois ladrões. O filme é extremamente divertido e, apesar de criticado devido às inúmeras reprises  na TV nessa época do ano, ainda cativa o público, além da mensagem que transmite sobre diferenças e possibilidade de aproximação, a partir do enredo desenvolvido entre o personagem principal e um vizinho idoso, descriminado pela vizinhança. Este filme apresenta três sequências; a segunda (Esqueceram de Mim 2 – Perdido Em Nova York) apresenta a mesma qualidade e elenco, já as outras duas são meio duvidosas.

19898542-jpg-c_300_300_x-f_jpg-q_x-xxyxxSobrevivendo Ao Natal (Surviving Christmas – 2004): Um homem rico, cansado de passar o Natal sozinho e abandonado pela namorada nesta data,  decide retornar à casa onde cresceu, na esperança de recuperar o espírito natalino e as grandes festas da época. Porém, no local vive uma família completamente desconhecida. Decidido a ter novamente um Natal em família, ele faz uma insólita proposta: oferece US$ 250 mil para que eles sejam sua família no Natal. Essa convivência não será das mais fáceis. O filme trata da solidão dos dias vazios de sentimentos e repletos de afazeres que acabam afastando as pessoas do que deveria ser privilegiado: família, pessoas, sentimentos, convivência.

natal-muito-muito-louco02Um Natal Muito, Muito Louco (Christmas with the Kranks -2004): Os Kranks sempre passaram o Natal juntos, mas este ano será diferente. Com a filha trabalhando como voluntária do Corpo de Paz no Peru, Luther e Nora já estão se conformando em ter que passar um Natal solitário. Até que Luther vê um cartaz exposto em uma agência de viagens, anunciando uma excursão ao Caribe. Ao fazer as contas Luther percebe que, caso sua família não tenha uma festa natalina, ele e Nora poderão viajar. Inicialmente relutante, Nora termina por concordar com a idéia, o que gera desagrado entre os vizinhos. De maneira irreverente o filme mostra o quanto pode ser prazeroso um feriado natalino junto daqueles que amamos, além de enfatizar, mesmo que indiretamente, o valor das tradições, já tão menosprezadas atualmente.

os-fantasmas-contra-atacamOs Fantasmas Contra-Atacam (Scrooged – 1988): Nos dias atuais, Frank Cross é um diretor de uma rede de televisão que é frio e só pensa na audiência. Ele encontra com Lew Hayward, um falecido amigo, que o avisa sobre três fantasmas (o do Natal Passado, Presente e Futuro) que irão visitá-lo e diz para ele estar atento a tudo que eles mostrarem, pois esta é a única oportunidade de Frank se salvar. Trata-se aqui de uma versão moderna do conto de Dickens, porém não menos atraente e que também aponta para a reformulação de vida, que pode gerar vida nova e perspectivas mais felizes.

surpresasSurpresas do Amor (Four Christmases – 2008): Todo Natal Brad e Kate seguem uma tradição criada desde quando se conheceram: livram-se das neuroses de suas famílias e viajam para algum local exótico e ensolarado, onde possam passar as férias. Só que neste ano eles não podem seguir o plano, já que um nevoeiro cancela todos os vôos do aeroporto de São Francisco. Para piorar eles são filmados por uma equipe local de notícias, o que faz com que suas famílias saibam onde estão. Sem terem como escapar, eles são obrigados a passar o Natal com suas famílias. Quatro vezes, já que precisam lidar com o pai e a mãe de cada um deles.Apesar de se tratar de uma comédia romântica, gênero condenado por muitos, o filme mostra a realidade das famílias modernas, divididas entre diversas casas por conta de pais separados e novas famílias constituídas.

papai-noel-existePapai Noel Existe (The Night They Saved Christmas – 1984): Pólo Norte, na Durante a época do Natal, uma companhia de petróleo procura um grande lençol petrolífero no Pólo Norte. A pior conseqüências dessa busca seria provocar uma explosão que poderá destruir a casa secreta do Papai Noel. A mulher de um engenheiro responsável pelo projeto toma consciência da situação ao conversar com o bom velhinho e pretende fazer todo o possível para ajudá-lo. Esbarramos aqui no tão enaltecido capitalismo, e nos fica clara a definição de que tudo, inclusive o lar-doce-lar de Papai Noel, pode ser posto a baixo para ceder espaço a uma nova via exploratória, que venha a trazer benefícios financeiros.

oestranhomundodejackO Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas – 1993): Jack Skellington é um ser fantástico que vive na Cidade do Halloween, um local cercado por criaturas fantásticas. Lá todos passam o ano organizando o Halloween do ano seguinte mas, após mais um Halloween, Jack se mostra cansado de fazer aquilo todos os anos. Assim ele deixa os limites da Cidade do Halloween e vagueia pela floresta. Por acaso acha alguns portais, sendo que cada um leva até um tipo festividade. Jack acaba atravessando o portal do Natal, onde vê demonstrações do espírito natalino. Ao retornar para a Cidade do Halloween, sem ter compreendido o que viu, ele começa a convencer os cidadãos a sequestrarem o Papai Noel e fazerem seu próprio Natal. Apesar de argumentos fortes de sua leal namorada Sally contra o projeto, o Papai Noel é capturado. Mas os fatos mostrarão que Sally estava totalmente certa. Lidamos mais uma vez com a cobiça, porém de forma divertida: a criatura diferente que não se satisfaz com o que tem e cria planos mirabolantes para destruir ou alterar aquilo que foge a sua realidade.

filmetitionoelTitio Noel (Fred Claus – 2007): O Papai Noel tem um irmão: Fred Claus, que viveu sua vida inteira atrás da grande sombra de seu irmão. Ele tentou, mas nunca poderia preencher as expectativas do exemplo deixado pelo mais novo Papai Noel. Agora o trambiqueiro Fred acabou na cadeia e após ter sua fiança paga, ele precisa ir para o Pólo Norte pagar sua dívida fabricando brinquedos. O filme ‘brinca’ com a rivalidade comum entre irmãos, porém aqui trata-se a situação de forma divertida e leve; mostra também que a crise pode aproximar e desfazer impressões, por mais que estas estejam enraizadas.

santa-claus-a-verdadeira-historia-de-papai-noelA Verdadeira História de Papai Noel (Santa Claus – 1985): Esta é a deliciosa história de um mestre em fazer brinquedos que descobre o reino mágico dos duendes no Pólo Norte. Lá ele recebe poderes especiais surpreendentes para se transformar no símbolo do Natal mais amado do mundo – Papai Noel! Na fábrica encantada ele conhece Patch, um duende ajudante que entra numa grande confusão com um magnata da indústria de brinquedos que planeja dominar o Natal. E assim começa a maior de todas as aventuras do Papai Noel para salvar o seu leal duende e o Natal de todas as crianças do mundo! Novamente o capitalismo em voga e ameaçando o Natal.

joyeux-noel1Feliz Natal (Joyeux Noel – 2006): Natal de 1914, em plena 1ª Guerra Mundial. A neve e presentes da família e do exército ocupam as trincheiras francesas, escocesas e alemãs, envolvidas no conflito. Durante a noite os soldados saem de suas trincheiras e deixam seus rifles de lado, para apertar as mãos do inimigo e confraternizar o Natal. É o suficiente para mudar a vida de um padre anglicano, um tenente francês, um grande tenor alemão e sua companheira, uma soprano. O filme mostra que os sentimentos que permeiam o Natal podem fazer com que adversários venham a se unir em comemoração pela data. Efêmero? Superficial? Não. Mais uma grande obra, repleta de questionamentos importantes; um filme de guerra que mostra como fazer a paz.

expresso-polarO Expresso Polar (The Polar Express – 2004):  O filme conta a história de um menino que não acredita mais em Papai Noel, mas acaba embarcando em uma viagem mágica, que tem por objetivo trazer de volta a magia do Natal para crianças incrédulas.  A história fala da desesperança, da descrença daqueles que se veem envolvidos em realidades diferentes: o menino que não mais acredita, porém sente que precisa acreditar, e decide dar a sua imaginação, meios de lhe devolver essa crença e lhe encher de esperanças novamente.

rudolph-a-rena-do-nariz-vermelhoA Rena do Nariz Vermelho (Rudolph: The Red Nosed Reindeer – 1964): Animação stop motion, produzida para a TV americana em um especial patrocinado pela General Electric. Conta a história de Rudolph, uma pequena rena que é humilhada pelos seus amiguinhos por ter o nariz vermelho. Quando o Natal é ameaçado devido a uma terrível tempestade de neve que impede o Papai Noel de entregar os presentes, Rudolph tem a chance de provar seu valor.  O filme lida com fraquezas: até que ponto os considerados fracos realmente o são; e até que ponto uma capacidade menor de força representa impossibilidade?

milagreMilagre na Rua 34 (Miracle on 34th Street – 1994): Em plena época do Natal, Susan (Mara Wilson), uma garotinha muito inteligente e esperta, afirma que Papai Noel não existe. Porém, um senhor muito bondoso, de olhos brilhantes, com uma “ampla” barriga e barba branquinha é contratado para trabalhar como Papai Noel na loja de brinquedos Macy’s, em que sua mãe Doris Walker trabalha. O que ninguém podia esperar é que o velhinho que diz se chamar Kris Kringle afirma ser o verdadeiro Papai Noel que está ali justamente para provar para a garotinha e para muitas pessoas que ele é real. O filme coloca a fé de todos  em teste quando questiona claramente: Você acredita em Papai Noel? A primeira versão do filme data de 1947.

anio-de-vidroAnjo de Vidro (Noel – 2004): É Natal em Nova York. As ruas estão cobertas de neve, músicas natalinas estão por toda parte e as pessoas andam apressadas em direção às lojas, para comprar os presentes de última hora. Porém um grupo de pessoas está completamente à parte deste clima. Alguns deles são Rose, uma mulher emocionalmente frágil cuja mãe está no hospital, e Mike, um policial que briga com um homem mais velho. Porém alguns encontros na véspera de Natal fazem com que eles repensem a vida, revejam conceitos e alterem algumas perspectivas. Um drama que envolve e comove, mostrando que sempre é possível ir além, promover encontros e superar dificuldades.

felicidade-nc3a3o-se-compraA Felicidade Não Se Compra (It’s A Wonderful Life – 1946): No Natal, um homem que sempre ajudou a todos, pensa em se suicidar saltando de uma ponte, em razão das maquinações de um magnata da região. Mas tantas pessoas oram por ele que Clarence um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é mandado a Terra, para tentar fazer George mudar de idéia, demonstrando sua importância através de flashbacks. Este faz rever atitudes e conceitos, além de fazer chorar muito também!

1Um Duende Em Nova York (Elf – 2003):  Buddy é um humano que foi criado no Pólo Norte e acaba se transformando em um elfo. Após ter problemas na comunidade em que vive e incomodado com sua rotina, ele decide largar tudo e partir rumo a Nova York. Seu objetivo é encontrar seu pai, e quando isso acontece ele se decepciona ao saber que trata-se de  um espertalhão que não acredita em Papai Noel. Mesmo parecendo piegas e bobo, é divertido pra quem busca distração e risadas. Além disso, o final traz uma grata mensagem de união e solidariedade, capaz até de fazer chorar.

black_christmasNatal Negro (Black Christmas – 1974): Uma trama natalina de terror inovando e mesclando gêneros. O filme mostra uma história de vingança de um menino que, após crescer e ter sofrido torturas durante sua infância, matando seus pais na noite de Natal, tenta voltar a cada ano e fazer novas vítimas. É um filme muito interessante pois mexe com o Natal, um feriado que é sempre tratado com pureza, benevolência, e outros sentimentos deste tipo. Tem uma versão que data de 2007, mas peca em qualidade.

fc3a9rias-frustradasFérias Frustradas De Natal (Christmas Vacation – 1989): No intuito de inovar e agradar a família neste Natal, Clark Griswold lhes promete um Natal tradicional, porém isso foge seu controle e a programação acaba não saindo como deveria.  Há quem diga que o filme é trash, é besteirol… E daí?! Imaginem a família mais atrapalhada do mundo tentando ter um feliz Natal. Pois é! Diversão garantida e, talvez, poucas reflexões, pois as gargalhadas não cedem espaço a elas. Não é o meu caso, mas há um grande número de pessoas que considera esse como o melhor filme natalino de todos os tempo.

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Claro que foram muitos, mas foram poucos; foram tantos e não foram todos… Boa parte destes filmes eu tenho em meu acervo  (alguns só consegui adquirir em locadoras que estavam encerrando suas atividades – sim, sou rata de locadora!), e os que não tenho, procuro incessantemente mundo a fora. Seja comédia, drama, terror ou animação, há muitos filmes natalinos e se eu fosse falar de todos eles um blog seria pouco, quanto mais um artigo. Poderiam ser incluídos aí também  “Natal Branco”, “Um Natal Brilhante”, “Papai Noel Trapalhão”, “Meu papai É Noel” (uma trilogia!), “Gremlins”, “Duro de Matar” e “Adoráveis Mulheres” (estes três últimos fazendo referência à data, apesar de não serem filmes tipicamente natalinos), entre inúmeros outros. O que não faltam são opções! Entretanto, como se pode ver a partir de cada sinopse aqui apresentada, há sempre algo que remete à reflexão. Portanto, ficam as dicas para aqueles que gostam de filmes e do clima da época natalina.

 

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luz-natal-pacaembu-g-200911261Na rua escura, caminhava fria, distante das luzes que iluminavam as fachadas mágicas de dezembro, dando-se conta dos passos apressados que ultrapassavam seus passos. Cada qual em sua rotina, como se a pressa fosse aliada daquelas noites. Presenciava o constante vai-e-vem sem compromisso das sacolas cheias e dos corações vazios. Ritmos semelhantes nas mais adversas realidades daqueles dias sem fim. Não buscava nada, não procurava ninguém. Queria apenas inspirar-se em uma suposta paz que não sabia onde encontrar, talvez por não saber ao certo onde havia deixado.

Nas conversas murmuradas dos transeuntes, a angústia camuflada que o tempo sequer conseguia disfarçar; na ausência de cada um ali presente, uma pergunta sem resposta, um vazio cheio de tensão. Dos risos abafados das jovens que se encantavam com encantos vis, apenas um breve eco ressonando atrás de seu caminhar. Nas mesas dos bares, repousavam próximas aos copos semi cheios, as mãos calejadas que o batente impôs. Ao longe, o latido rouco de um cão ávido por algo indecifrável… Talvez fosse a mesma tristeza que traziam os dezembros; talvez apenas incômodo pelo transitar constante daqueles tempos.

Através de algumas poucas janelas abertas, via as famílias que se reuniam para o pernoite. As lembranças estampadas sem dó no rosto de uma velhinha… O cansaço que brotava na testa de uma dona de casa… A sensualidade infernal de um gato garboso, que espreguiçava-se no parapeito… A desesperança no olhar de uma criança que, debruçada na janela de um andar alto qualquer, ainda esperava por alguma coisa.

Nas esquinas abandonadas, já descansavam estafados os pedintes, como se o preparo para o dia seguinte lhes exigisse mais do que eles podiam dar. Nos becos escuros, já vagavam algumas putas, esquecidas do mundo, reluzindo ao reflexo daquelas fachadas brilhantes. Na marquise da loja, uma cama feita de cobertores velhos, provavelmente de alguém que, em esquema de hora extra, buscava ainda fazer algum ganho. Tantas vidas a acontecer bem à sua frente; tantas diferenças, tantos vazios em um mesmo quarteirão… Onde cada olhar olhava pra um lado: seu próprio lado, fosse este justo ou não, perfeito ou ilusório, completo ou inválido.

Caminhou sem rumo naquela noite como se a paz, outrora roubada, pudesse ser desvendada nos próximos passos. Não foi. Vagarosa, desfilou no tapete de concreto já gasto pelos passos daqueles que se foram e úmido pela chuva de horas antes. Nas costas, apenas o peso de um porvir que nunca chegava; no coração, as cicatrizes dos arranhões que o passado deixou. No semblante, nem sorriso e nem lágrimas; uma leve expectativa, visível somente aos olhos dos que já conheceram a tristeza de perto.

Mais alguns minutos de caminhada e as fachadas iluminadas já haviam ficado para trás… Em frente à sua porta, prestes à entrar, a sensação do dever cumprido no girar da maçaneta. Saiu para não buscar nada, para não procurar ninguém.  Queria apenas, e não mais que isso, inspirar-se em uma suposta paz que não sabia onde encontrar, talvez por não saber ao certo onde havia deixado. Adentrou na sala e acendeu a luz. Buscou uma xícara de café na cozinha, acendeu um cigarro e sentou-se para descrever aquela noite no papel e depois mostrá-la pro mundo.

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O Natal se aproxima e com ele o término de mais um ano. Certamente, para todos nós, foi um ano de idas e vindas, com algumas paradas durante o trajeto. No entanto, apesar de todos os percalços, temos a certeza de que a vida não para.

A vida sempre encontra um caminho! Seja reto ou tenha curvas; seu itinerário é vasto e repleto de possibilidades. Possibilidades essas que, muitas vezes, nos tiram do chão e nos fazem ganhar asas num rompante de alegria, numa explosão de felicidade. Em outros momentos podem nos fazer murchar, encolher na espera de algo melhor; porém, cientes de que cada dia será sempre um novo dia!

Com a força, a ser descoberta neste Natal, que possamos dar às nossas vidas um curso mais produtivo, uma diretriz mais bonita… Que cada um de nossos sonhos seja prenúncio de realização!

Com o companheirismo, presente neste Natal, que possamos reconhecer o valor de cada gesto amigo, cada mão estendida, cada palavra de conforto… Que seja evidenciado o valor de cada sorriso e de cada lágrima vertida!

Com o sentimento, a ser vivenciado neste Natal, que possamos deixar pra trás as angústias e frustrações, abrindo os braços pra tudo de real que a vida nos trouxer… Que o caminho trilhado seja o caminho do amor!

Com a esperança, que renascerá neste Natal, que possamos trazer no olhar um brilho de euforia e no sorriso a paz de quem muito lutou e conseguiu… Que venham só conquistas!

Que a luz da estrela que ilumina e risca os céus na Noite de Natal nos guie por caminhos belos e repletos de esplendor.

Desejo à todos  um Feliz Natal!

Barbara Nonato

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Evidentemente, por ser cinéfila assumida e DVD maníaca, eu não poderia deixar passar em braço o Natal na sétima arte. Sem intenção de apontar melhores ou piores, selecionei uma lista (que deveria ter ficado menor, porém, confesso que me empolguei!) de filmes natalinos. Sejam comédias, animações, dramas, ou qualquer outro gênero, se soubermos e quisermos olhar além e refletir um pouco sobre a mensagem de cada uma dessas obras, certamente teremos gratas surpresas.

O Grinch (The Grinch – 2000): O Grinch é uma criatura verde e mesquinha que odeia o espírito de Natal. Ele pretende estragar a festa dos moradores de Quem-lândia roubando presentes e enfeites com a ajuda de seu cãozinho Max. Ao mesmo tempo, a pequena Cindy Lou Quem moradora de Quem-lândia, observa as pessoas pensando apenas em compras, presentes e enfeites e quer saber o significado do Natal. Os caminhos de Cindy Lou e do Grinch se cruzarão e, juntos, conhecerão o verdadeiro espírito do Natal. O filme é uma fábula sobre diferenças e diversidades, onde a disputa de crenças e gostos se faz presente, além demostrar a inveja (fator destrutivo) de forma divertida e reflexiva.

Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol – 2009): O Natal se aproxima e, como sempre, Ebenezer Scrooge  mantém seu desprezo pela data. Milionário e muito mesquinho, ele só pensa em dinheiro e não dá espaço para a emoção em seu coração, maltratando Bob Cratchit, seu fiel assistente, e ignorando seu sobrinho Fred. Com a morte de seu sócio, Ebenezer recebe a visita de três fantasmas do Natal: do passado, do presente e do futuro. Cada um deles levará o velho ranzinza para uma viagem que o ajudará a refletir melhor sobre sua vida passada e a escolha que fará para o futuro. Essa revisão de valores imposta pelos fantasma propõe a Scrooge uma reformulação de vida, essencial a tantos que todos nós conhecemos.

Esqueceram de Mim (Home Alone – 1990): Em Chicago, uma família inteira planeja passar o Natal em Paris. Porém, em meio às confusões de viagem um dos filhos, com apenas 8 anos, é esquecido em casa. Assim, o garoto se vê obrigado a se virar sozinho e a defender a casa de dois ladrões. O filme é extremamente divertido e, apesar de criticado devido às inúmeras reprises  na TV nessa época do ano, ainda cativa, além da mensagem que transmite sobre diferenças e possibilidade de aproximação, a partir do enredo desenvolvido entre o personagem principal e um vizinho idoso, descriminado pela vizinhança. Este filme apresenta três sequências; a segunda (Esqueceram de Mim 2 – Perdido Em Nova York) apresenta a mesma qualidade e elenco, já as outras duas são meio duvidosas.

Sobrevivendo Ao Natal (Surviving Christmas – 2004): Um homem rico, cansado de passar o Natal sozinho,  decide retornar à casa onde cresceu, na esperança de recuperar o espírito natalino e as grandes festas da época. Porém, no local vive uma família completamente desconhecida. Decidido a ter novamente um Natal em família, ele faz uma insólita proposta: oferece US$ 250 mil para que eles sejam sua família no Natal. Essa convivência não será das mais fáceis. O filme trata da solidão dos dias vazios de sentimentos e repletos de afazeres que acabam afastando as pessoas do que deveria ser privilegiado: família, pessoas, sentimentos, convivência.

Um Natal Muito, Muito Louco (Christmas with the Kranks -2004): Os Kranks sempre passaram o Natal juntos, mas este ano será diferente. Com a filha trabalhando como voluntária do Corpo de Paz no Peru, Luther e Nora já estão se conformando em ter que passar um Natal solitário. Até que Luther vê um cartaz exposto em uma agência de viagens, anunciando uma excursão ao Caribe. Ao fazer as contas Luther percebe que, caso sua família não tenha uma festa natalina, ele e Nora poderão viajar. Inicialmente relutante, Nora termina por concordar com a idéia, o que gera desagrado entre os vizinhos. De maneira irreverente o filme mostra o quanto pode ser prazeroso um feriado natalino junto daqueles que amamos, além de enfatizar, mesmo que indiretamente, o valor das tradições, já tão menosprezadas atualmente.

Os Fantasmas Contra-Atacam (Scrooged – 1988): Nos dias atuais, Frank Cross é um diretor de uma rede de televisão que é frio e só pensa na audiência. Ele encontra com Lew Hayward, um falecido amigo, que o avisa sobre três fantasmas (o do Natal Passado, Presente e Futuro) que irão visitá-lo e diz para ele estar atento a tudo que eles mostrarem, pois esta é a única oportunidade de Frank se salvar. Trata-se aqui de uma versão moderna do conto de Dickens, porém não menos atraente e que também aponta para a reformulação de vida, que pode gerar vida nova e perspectivas mais felizes.

Surpresas do Amor (Four Christmases – 2008): Todo Natal Brad e Kate seguem uma tradição criada desde quando se conheceram: livram-se das neuroses de suas famílias e viajam para algum local exótico e ensolarado, onde possam passar as férias. Só que neste ano eles não podem seguir o plano, já que um nevoeiro cancela todos os vôos do aeroporto de São Francisco. Para piorar eles são filmados por uma equipe local de notícias, o que faz com que suas famílias saibam onde estão. Sem terem como escapar, eles são obrigados a passar o Natal com suas famílias. Quatro vezes, já que precisam lidar com o pai e a mãe de cada um deles.Apesar de se tratar de uma comédia romântica, gênero condenado por muitos, o filme mostra a realidade das famílias modernas, divididas entre diversas casas por conta de pais separados e novas famílias constituídas.

Papai Noel Existe (The Night They Saved Christmas – 1984): Pólo Norte, na Durante a época do Natal, uma companhia de petróleo procura um grande lençol petrolífero no Pólo Norte. A pior conseqüências dessa busca seria provocar uma explosão que poderá destruir a casa secreta do Papai Noel. A mulher de um engenheiro responsável pelo projeto toma consciência da situação ao conversar com o bom velhinho e pretende fazer todo o possível para ajudá-lo. Esbarramos aqui no tão enaltecido capitalismo, e nos fica clara a definição de que tudo, inclusive o lar-doce-lar de Papai Noel, pode ser posto a baixo para ceder espaço a uma nova via exploratória, que venha a trazer benefícios financeiros.

O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas – 1993): Jack Skellington é um ser fantástico que vive na Cidade do Halloween, um local cercado por criaturas fantásticas. Lá todos passam o ano organizando o Halloween do ano seguinte mas, após mais um Halloween, Jack se mostra cansado de fazer aquilo todos os anos. Assim ele deixa os limites da Cidade do Halloween e vagueia pela floresta. Por acaso acha alguns portais, sendo que cada um leva até um tipo festividade. Jack acaba atravessando o portal do Natal, onde vê demonstrações do espírito natalino. Ao retornar para a Cidade do Halloween, sem ter compreendido o que viu, ele começa a convencer os cidadãos a sequestrarem o Papai Noel e fazerem seu próprio Natal. Apesar de argumentos fortes de sua leal namorada Sally contra o projeto, o Papai Noel é capturado. Mas os fatos mostrarão que Sally estava totalmente certa. Lidamos mais uma vez com a cobiça, porém de forma divertida: a criatura diferente que não se satisfaz com o que tem e cria planos mirabolantes para destruir ou alterar aquilo que foge a sua realidade.

Titio Noel (Fred Claus – 2007): O Papai Noel tem um irmão: Fred Claus, que viveu sua vida inteira atrás da grande sombra de seu irmão. Ele tentou, mas nunca poderia preencher as expectativas do exemplo deixado pelo mais novo Papai Noel. Agora o trambiqueiro Fred acabou na cadeia e após ter sua fiança paga, ele precisa ir para o Pólo Norte pagar sua dívida fabricando brinquedos. O filme ‘brinca’ com a rivalidade comum entre irmãos, porém aqui trata-se a situação de forma divertida e leve; mostra também que a crise pode aproximar e desfazer impressões, por mais que estas estejam enraizadas.

A Verdadeira História de Papai Noel (Santa Claus – 1985): Esta é a deliciosa história de um mestre em fazer brinquedos que descobre o reino mágico dos duendes no Pólo Norte. Lá ele recebe poderes especiais surpreendentes para se transformar no símbolo do Natal mais amado do mundo – Papai Noel! Na fábrica encantada ele conhece Patch, um duende ajudante que entra numa grande confusão com um magnata da indústria de brinquedos que planeja dominar o Natal. E assim começa a maior de todas as aventuras do Papai Noel para salvar o seu leal duende e o Natal de todas as crianças do mundo! Novamente o capitalismo em voga e ameaçando o Natal.

Feliz Natal (Joyeux Noel – 2006): Natal de 1914, em plena 1ª Guerra Mundial. A neve e presentes da família e do exército ocupam as trincheiras francesas, escocesas e alemãs, envolvidas no conflito. Durante a noite os soldados saem de suas trincheiras e deixam seus rifles de lado, para apertar as mãos do inimigo e confraternizar o Natal. É o suficiente para mudar a vida de um padre anglicano, um tenente francês, um grande tenor alemão e sua companheira, uma soprano. O filme mostra que os sentimentos que permeiam o Natal podem fazer com que adversários venham a se unir em comemoração pela data. Efêmero? Superficial? Não. Mais uma grande obra, repleta de questionamentos importantes; um filme de guerra que mostra como fazer a paz.

O Expresso Polar (The Polar Express – 2004):  O filme conta a história de um menino que não acredita mais em Papai Noel, mas acaba embarcando em uma viagem mágica, que tem por objetivo trazer de volta a magia do Natal para crianças incrédulas.  A história fala da desesperança, da descrença daqueles que se veem envolvidos em realidades diferentes: o menino que não mais acredita, porém sente que precisa acreditar, e decide dar a sua imaginação, meios de lhe devolver essa crença e lhe encher de esperanças novamente.

A Rena do Nariz Vermelho (Rudolph: The Red Nosed Reindeer – 1964): Animação stop motion, produzida para a TV americana em um especial patrocinado pela General Electric. Conta a história de Rudolph, uma pequena rena que é humilhada pelos seus amiguinhos por ter o nariz vermelho. Quando o Natal é ameaçado devido a uma terrível tempestade de neve que impede o Papai Noel de entregar os presentes, Rudolph tem a chance de provar seu valor.  O filme lida com fraquezas: até que ponto os considerados fracos realmente o são; e até que ponto uma capacidade menor de força representa impossibilidade?

Milagre na Rua 34 (Miracle on 34th Street – 1994): Em plena época do Natal, Susan (Mara Wilson), uma garotinha muito inteligente e esperta, afirma que Papai Noel não existe. Porém, um senhor muito bondoso, de olhos brilhantes, com uma “ampla” barriga e barba branquinha é contratado para trabalhar como Papai Noel na loja de brinquedos Macy’s, em que sua mãe Doris Walker trabalha. O que ninguém podia esperar é que o velhinho que diz se chamar Kris Kringle afirma ser o verdadeiro Papai Noel que está ali justamente para provar para a garotinha e para muitas pessoas que ele é real. O filme coloca a fé de todos  em teste quando questiona claramente: Você acredita em Papai Noel? A primeira versão do filme data de 1947.

Anjo de Vidro (Noel – 2004): É Natal em Nova York. As ruas estão cobertas de neve, músicas natalinas estão por toda parte e as pessoas andam apressadas em direção às lojas, para comprar os presentes de última hora. Porém um grupo de pessoas está completamente à parte deste clima. Alguns deles são Rose, uma mulher emocionalmente frágil cuja mãe está no hospital, e Mike, um policial que briga com um homem mais velho. Porém alguns encontros na véspera de Natal fazem com que eles repensem a vida, revejam conceitos e alterem algumas perspectivas. Um drama que envolve e comove, mostrando que sempre é possível ir além, promover encontros e superar dificuldades.

A Felicidade Não Se Compra (It’s A Wonderful Life – 1946): No Natal, um homem que sempre ajudou a todos, pensa em se suicidar saltando de uma ponte, em razão das maquinações de um magnata da região. Mas tantas pessoas oram por ele que Clarence um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é mandado a Terra, para tentar fazer George mudar de idéia, demonstrando sua importância através de flashbacks. Este faz rever atitudes e conceitos, além de fazer chorar muito também!

Um Duende Em Nova York (Elf – 2003):  Buddy é um humano que foi criado no Pólo Norte e acaba se transformando em um elfo. Após ter problemas na comunidade em que vive e incomodado com sua rotina, ele decide largar tudo e partir rumo a Nova York. Seu objetivo é encontrar seu pai, e quando isso acontece ele se decepciona ao saber que trata-se de  um espertalhão que não acredita em Papai Noel. Mesmo parecendo piegas e bobo, é divertido pra quem busca distração e risadas. Além disso, o final traz uma grata mensagem de união e solidariedade, capaz até de fazer chorar.

Natal Negro (Black Christmas – 1974): Uma trama natalina de terror inovando e mesclando gêneros. O filme mostra uma história de vingança de um menino que, após crescer e ter sofrido torturas durante sua infância, matando seus pais na noite de Natal, tenta voltar a cada ano e fazer novas vítimas. É um filme muito interessante pois mexe com o Natal, um feriado que é sempre tratado com pureza, benevolência, e outros sentimentos deste tipo. Tem uma versão que data de 2007, mas peca em qualidade.

Férias Frustradas De Natal (Christmas Vacation – 1989): No intuito de inovar e agradar a família neste Natal, Clark Griswold lhes promete um Natal tradicional, porém isso foge seu controle e a programação acaba não saindo como deveria.  Há quem diga que o filme é trash, é besteirol… E daí?! Imaginem a família mais atrapalhada do mundo tentando ter um feliz Natal. Pois é! Diversão garantida e, talvez, poucas reflexões, pois as gargalhadas não cedem espaço a elas. Não é o meu caso, mas há um grande número de pessoas que considera esse como o melhor filme natalino de todos os tempo.

Claro que foram muitos, mas foram poucos; foram tantos e não foram todos… Boa parte destes filmes eu tenho em minha coleção, e os que não tenho, procuro incessantemente mundo a fora. Seja comédia, drama, terror ou animação, há muitos filmes natalinos e se eu fosse falar de todos eles um blog seria pouco, quanto mais um artigo. Poderiam ser incluídos aí também  “Natal Branco”, “Um Natal Brilhante”, “Papai Noel Trapalhão”, “Meu papai É Noel”, “Gremlins”, “Duro de Matar” e “Adoráveis Mulheres” (estes três últimos fazendo referência à data, apesar de não serem filmes tipicamente natalinos), entre inúmeros outros. O que não faltam são opções! Entretanto, como se pode ver a partir de cada sinopse aqui apresentada, há sempre algo que remete à reflexão.

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O Natal, querendo ou não, nos oferece a possibilidade de rever conceitos, repensar atitudes e rememorar acontecimentos, mesmo que estes não sejam tão recentes ou agradáveis. Diversas são as vezes em que, nesta época do ano, nos sentimos como velhos Scrooges que saltam dos livros esquecidos na estante, para recepcionar fantasmas de antigos Natais e, supostamente ou consequentemente, somos devorados por algumas traças da alma. Quem nunca recebeu a visita de um Fantasma de Natal Passado?! É inevitável, em algum momento do mês de Dezembro, mesmo que não seja na íntegra, ou seja, mesmo sem associação à conhecida avareza do personagem, nos transformamos em Scrooge devido aos fantasmas que surgem. Eu fui Scrooge, e sei que ainda o serei um pouco até o dia de Natal; você também!

O Fantasma do Natal Passado parece não ter dó nem piedade. Começa a assombrar logo no início de Dezembro, escondido por trás de alguma árvore decorativa no pátio de algum shopping. Você que estava ali por um motivo pessoal qualquer que em nada se refere ao Natal, acaba por esbarrar com o tal fantasma ou sentir sua presença sem percebê-lo. E tomem lembranças disfarçadas de duendes ou belas moças que atraem clientes para a famosa foto com o bom velhinho. Lembra daquele Natal onde seu presente (aquele tão sonhado!) não chegou? Pois é… Nessa ida ao shopping ele volta a sua mente, adornando as vitrines amareladas de suas lembranças e mostrando que alguns sonhos podem não se realizar… Corra pra casa, Scrooge! Ainda é cedo demais.

O mês de Dezembro avança e suas noites já não são as mesmas. Os programas especiais de televisão te fazem ver o tempo inteiro a família perfeita, a ceia perfeita, a vida perfeita. E lá está ele, o Fantasma do Natal Passado pra te lembrar que, em outros tempos, a ceia não era tão farta e família de perfeita nada tinha. Ou, inverso a isso, ao assistir tais especiais, você se dá conta de que a família já não é tão perfeita como antes, já não é a mesma: alguns se foram, outros nunca chegaram; a ceia é mais farta, mas falta calor humano, faltam aqueles que deveriam estar ali. É, Mister Scrooge, qualquer semelhança pode não ser mera coincidência…

Vem então as malditas confraternizações no trabalho, onde a falsidade jorra em jatos de champagne e brilha por corredores entupidos de sorrisos vazios. Ao pronunciarem a expressão “amigo oculto”, a vontade que te dá é se esconder pelo menos até Janeiro! Surgem as lembranças das dificuldades para se manter no emprego, lembranças dos amigos que foram desligados, lembranças das vezes em que as falhas foram inevitáveis, lembranças, lembranças, lembranças… É ele, o Fantasma do Natal Passado entrando em ação mais uma vez!

Hora das compras de Natal! Supermercados cheios, lojas lotadas, multidões disputando espaço em um único espaço… Um fantasma à espreita em cada corredor! E vem à mente, com força total, os tempos onde, na mesa, não havia peru; onde presentes não faziam parte da realidade; onde a árvore não acendia até mesmo porque nem sequer existia, portanto não era montada… Calma, Scrooge, são somente impressões; são passageiras, elas se vão, pois fazem parte de Natais passados e agora já é presente!

Noite Feliz! A árvore acesa e a família reunida. Todos juntos em confraternização, e o tal fantasma parece insistir em aparecer… Mas ele é passado; ele já é e sempre foi coisa do passado. O agora é presente, Scrooge! Hora de viver e não de lembrar. As lembranças existem e sempre estarão lá quando você precisar delas ou cismar em remexer nelas. Se entregue ao momento, vivencie e aproveite, seja como for… E não esqueça de uma coisa: este Natal será passado no próximo ano; faça-o pleno para que ele não abrigue mais um fantasma que, sendo do passado, venha a lhe atormentar no futuro.

***

Obs.: Ebenezer Scrooge: personagem principal do Livro “Um Conto de Natal”, de Charles Dickens (1843), que recebe na noite de Natal, a visita dos fantasmas dos Natais presente, passado e futuro, fazendo um retrospecto de sua vida e lhe apontando as possibilidades assustadoras do futuro.

Indicações: “Os Fantasmas de Scrooge”, animação da Disney. Lançamento: 2009 (EUA). Direção: Robert Zemeckis. Atores: Jim Carrey, Gary Oldman, Colin Firth, Robin Wright; “Os Fantasmas Contra-Atacam”, comédia da Paramount. Lançamento: 1988. Direção: Richard Donner. Atores: Bill Murray, John Glover, Robert Mitchum, Karen Allen.

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A sensação de que o tempo corria de maneira desfavorável já era uma constante. Acordar com o barulho do despertador e pular da cama para o chuveiro, sabendo não dispor de tempo suficiente para um café, fazia parte da rotina. No mais, era entrar na roupa selecionada na véspera e enfiar a cara no dia, que nem bem começara e tinha seu fim esperado com ansiedade. Pela rua, as passadas apressadas pareciam retardar ainda mais a chegada. Na confeitaria, no térreo do prédio onde estava localizada a sede da empresa, uma pausa momentânea para um café, tão momentâneo quanto. Cigarro aceso e duas tragadas interrompidas pelo barulho do elevador.  Era preciso subir, pois, lá em cima os telefonemas e documentos já esperavam por ela.

Uma sala ampla no décimo segundo, com grande janela mostrando a realidade do centro embaçado da cidade, com ruas e fachadas já decoradas para o Natal que se aproximava e apontando o fim de um ano que ela não se deu ao luxo de sentir passar. Na mesa com tampo de vidro, de um lado pilhas de papéis para conferência, assinatura e carimbo, de outro um telefone que insistia em tocar e o monitor do computador, mostrando uma página lotada de emails que aguardavam respostas. Lá fora, o tumulto gerado pelos pedestres e buzinas e propagandistas insistia em mostrar outra realidade. Uma realidade diferente, que convidava a um mundo conhecido e distante do qual ela sentia saudades. Sem dar-se conta, dedicou algum tempo de seu tempo àquela realidade estampada do outro lado da janela.

Como formigas, as pessoas circulavam tão apressadas quanto ela minutos antes. Na porta de cada loja, um Papai Noel diferente: um mais magro, outro menos alegre, e um terceiro que de tão baixinho, estava mais para duende… Ela riu por dentro. Percebeu as crianças e o encantamento que brotava delas. Na porta de uma igreja antiga, um padre felicitava seus fies e abençoava o dia que, pra ele, parecia promissor, mas pra ela, até ali, não passava de mais um dia. Os carros passavam lentos, causavam congestionamentos e agitavam ainda mais aquele continente novo que nascia lá embaixo, do outro lado das impávidas placas de vidro que a isolavam. Alguns sujeitos uniformizados tentavam, sem sucesso, estabelecer alguma organização. Eram apitos, eram sirenes, eram buzinas, e o burburinho constante de pessoas que tinham muito a dizer. Se centrasse a audição, além do barulho habitual, poderia ouvir as músicas natalinas que soavam em meio ao comércio. De certa forma, deixou-se levar e embalar por aqueles ‘jingles bells’, deixou-se enveredar por aquele dia, onde cada olhar era uma promessa, cada sorriso parecia mais doce e o calor do dia nublado parecia não incomodar.

Tudo parecia tão novo… Mas já era Dezembro e talvez somente ela não tivesse ainda consciência disso; talvez somente ela não tivesse ainda atentado para as mudanças que a época proporcionava. O foi olhando aquilo tudo, foi observando aquela realidade urbano que de repente descobriu as luzes se acendendo. Uma pequena lâmpada aqui, um anjo de asas abertas ali, um fio de luzinhas coloridas acolá… A tarde já cedia lugar á noite e as pessoas cediam lugar a mais pessoas, então iluminadas também pela decoração. Aquele dia havia passado diferente. Voltou-se ao habitual. Voltou-se à pilha de documentos intocada e ao monitor ainda aceso, repleto de emails que não foram respondidos. Era chegado o momento de dar por encerrado um dia improdutivo, onde muito foi produzido; momento de findar a realidade de um dia de trabalho onde nada de concreto foi feito, mas abstratamente muitas decisões importantes foram tomadas. Era hora de assinar um contrato imaginário com ela mesma e proporcionar mais tempo para fazer do tempo real algo tão agradável quanto o dia que passou e ela não viu. Hora de tomar o rumo de casa, pelas ruas iluminadas daquele centro e cruzar com as pessoas que, de fato, iluminaram seu dia. E deitar na cama. E viver o sonho de um tempo diferente, iluminado pelas miúdas luzes de Dezembro.

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Imagem: Rua Campos Sales, Itapetininga, São Paulo; em época de Natal. Foto de Fábio Barros.

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Querido Papai Noel,

Todo mundo aqui diz que você (posso te chamar de você?) não existe e que te escrever cartinha é besteira e aquele blá-blá-blá, mas mesmo assim eu resolvi tentar esse ano porque aprendi que a gente não deve escutar tudo o que dizem.

Papai Noel, a coisa aqui tá feia! Eu não sei como as notícias chegam aí no Pólo Norte (aliás, eu nem sei se chegam!) e não sei se você tem tempo pra acompanhar noticiários (passa o Jornal Nacional aí?!) já que tem tantas cartas pra ler e tantos pedidos pra atender. Também não sei se você lê jornal, porque deve ser difícil pra um velhinho (desculpe pelo “velhinho”) da sua idade (desculpe pelo “sua idade” também!) sair na neve todo dia de manhã pra ir na banca… Mas a coisa tá preta! Então, sabendo que você é um velhinho muito ocupado, eu resolvi te escrever bem cedo, bem antes do Natal, pra você ter bastante tempo pra ler minha cartinha e ver o que pode fazer por nós.

Eu vou colocar uma listinha aqui embaixo, mas essas coisas não são pra mim e nem sei se essas pessoas se comportaram, mas mesmo assim eu vou pedir.

1. CARRINHOS – Tem uns caras aqui que não tem carro (pelo menos eu acho que não tem!), então eles ficam pegando o carro dos outros. Se o dono do carro não quiser entregar eles atiram e matam. Não sei, não, Papai Noel, mas talvez sejam aqueles caras que te pediram pistolinhas no ano passado…

2. BONECAS – Pra alguns velhos, Papai Noel! Acho que tem uns velhos aqui precisam de bonecas porque de vez em quando eles pegam meninas pra umas coisas que eles dizem que são ”brincadeirinhas”. Se você trouxer bonecas eles vão parar de brincar assim com as meninas.

3. JOGO DA VIDA – Ih! As pessoas gostam de brincar com a vida dos outros, Papai Noel. Deve ser porque elas não tem esse jogo, né?! Traz também?

4. CIGARRINHOS DE CHOCOLATE – Quase não se acha mais isso nas lojas, Papai Noel! Se as pessoas que fumam aqueles bagulhos estranhos e depois fazem um monte de besteiras passassem a gostar de cigarrinhos de chocolate, largariam o que fumam… Isso é só uma idéia que eu pensei aqui, Papai Noel!

5. SACOS DE BOXE – Tem alguns papais e mamãe que gostariam de lutar boxe e não tem o saco, então acabam treinando nos filhos. Eu acho que se tivessem o saco pra socar, não bateriam mais nas crianças. Traz as luvas também, pra não machucar a mão deles, tá, Papai Noel?

6. ROBÔS – Algumas pessoas pegam outras pessoas e levam para lugares que onde demoram muito pra serem achadas (e às vezes, quando acham, já não dá mais tempo!). Como eu vi na televisão que robôs podem substituir pessoas, se cada pessoa dessas que pega pessoas tiver um robô, não vai mais precisar pegar ninguém, né?

7. BOLAS – De vez em quando aparece aqui um ou outro cara com uma vontade tão grande de jogar e, como eu acho que eles não tem bolas, acabam jogando outras coisas… Teve até um que a vontade era tanta, mas tanta, que jogou uma criança da janela de um prédio! Manda umas bolas também, Papai Noel, porque aí você resolve isso.

E não quero te pedir demais, não, Papai Noel, e não quero que você pense que eu sou um menino abusado ou explorador… Mas, se depois de tudo isso você ainda tiver tempo, traz um emprego pra minha mãe? Ela se comportou direitinho o ano inteiro…

Com amor,

Joãozinho Brasileiro da Silva.

*Obs.: O verbo ‘estar’ no seu tempo presente e a expressão ‘não é’ foram escritos da forma como habitualmente se fala (‘tá’ e ‘né’), de modo a dar maior naturalidade à carta. Me perdoem o erro proposital na grafia…

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